Brasília (DF) — A Organização dos Estados Americanos (OEA) concluiu que houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil após as eleições presidenciais de 2022. A avaliação consta em relatório divulgado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão vinculado à entidade, que analisou a situação da liberdade de expressão e o funcionamento das instituições democráticas no país.

O documento afirma que ocorreram ações deliberadas para deslegitimar o resultado eleitoral reconhecido internacionalmente e aponta a existência de planejamento e tentativa de execução de um golpe para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, derrotando o então presidente Jair Bolsonaro nas urnas.

O relatório foi elaborado a partir de visitas técnicas e reuniões realizadas ao longo de 2025, com representantes dos três Poderes da República, lideranças políticas de diferentes espectros ideológicos, organizações da sociedade civil, jornalistas e autoridades públicas. O próprio Jair Bolsonaro chegou a ser ouvido pela comissão durante o processo de apuração.

Atuação do STF durante a crise institucional

Ao analisar o papel das instituições, a CIDH reconhece que o Supremo Tribunal Federal (STF) teve atuação central na contenção da crise institucional e no início das investigações relacionadas aos atos antidemocráticos. Segundo o relatório, as medidas adotadas contribuíram para preservar a ordem democrática diante das ameaças ao Estado de Direito.

Ao mesmo tempo, a comissão faz ressalvas quanto ao risco de concentração excessiva de poder e alerta para a necessidade de que medidas excepcionais adotadas em contextos de crise não se tornem permanentes. O documento destaca que soluções emergenciais podem gerar precedentes que, em outros contextos, poderiam ser utilizados de forma indevida.

Liberdade de expressão e democracia

A CIDH sustenta que a defesa da democracia é condição indispensável para o pleno exercício da liberdade de expressão. De acordo com o relatório, não há liberdade de expressão efetiva fora de um regime democrático, o que justifica a adoção de medidas institucionais para conter ataques ao sistema eleitoral e às instituições.

O texto também é crítico aos discursos que, segundo a comissão, utilizam a liberdade de expressão como argumento para deslegitimar o processo democrático ou para relativizar ações que atentem contra o Estado de Direito. O relatório observa que o Brasil ainda carrega resquícios do período autoritário, com impactos na distribuição de poder e no acesso a direitos.

Avaliação do sistema democrático brasileiro

Apesar das tensões observadas no período pós-eleitoral, a CIDH conclui que o Brasil mantém instituições democráticas funcionais, com eleições livres e justas, separação de Poderes e mecanismos de freios e contrapesos em funcionamento. O relatório reconhece a existência de autonomia judicial e de instrumentos institucionais adequados para a proteção da liberdade de expressão.

Recomendações ao Estado brasileiro

Ao final do documento, a comissão apresenta uma série de recomendações, entre elas: