Brasília – O cerco sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atingiu um novo patamar de gravidade com a revelação de documentos detalhados enviados pelo Ministério Público da Suíça à Procuradoria-Geral da República (PGR). O dossiê expõe a arquitetura financeira de quatro contas bancárias atribuídas ao parlamentar, alimentadas por um contrato da Petrobras no Benin.
Os novos dados confrontam diretamente o depoimento dado por Cunha à CPI da Petrobras em março, quando o deputado negou categoricamente possuir contas no exterior.
O Caminho do Dinheiro: Do Benin para Offshores
De acordo com as autoridades suíças, a soma total distribuída nas contas equivale a pelo menos R$ 22 milhões. O rastreamento aponta um fluxo específico de R$ 5,1 milhões pagos pela offshore do empresário João Augusto Henriques, apontado como lobista do PMDB, para a conta Orion SP, controlada por Cunha.
O pagamento teria ocorrido em 2011, apenas três meses após a Petrobras fechar o negócio de exploração de petróleo no campo de Benin, na África.
Gastos de Luxo e Cartões de Crédito
O detalhamento do Ministério Público Suíço não se limita aos depósitos, mas expõe como o dinheiro foi utilizado pela família do parlamentar:
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Cláudia Cruz (Esposa): Identificou-se o gasto de US$ 59,7 mil em um cartão de crédito vinculado a uma das contas na IMG Academies, renomada academia de tênis na Flórida, EUA.
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Educação Internacional: Foram rastreados pagamentos diretos para o MBA da filha de Eduardo Cunha na Espanha.
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Volume de Gastos: Entre 2013 e 2015, as movimentações de cartões de crédito somaram US$ 525 mil, além de outros US$ 316,5 mil no período de 2008 a 2012.
Pressão Política e Conselho de Ética
O desgaste da imagem de Eduardo Cunha acelerou o movimento de oposição dentro da Câmara. Um grupo de deputados de seis partidos já protocolou representações formais na Corregedoria e articula a abertura de processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar por quebra de decoro.
Cunha, por sua vez, mantém a estratégia de defesa de que só se manifestará após seus advogados terem acesso integral aos documentos enviados pela Suíça.
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