Servidores da educação de SP rejeitam proposta de Nunes e seguem em greve

Servidores da educação de SP rejeitam proposta de Nunes e seguem em greve

Foto: Reprodução/Sinpeem
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Em assembleia realizada nesta terça-feira (22) em frente à Prefeitura de São Paulo, professores municipais em greve por tempo indeterminado reafirmaram a rejeição à proposta de reajuste salarial apresentada pelo prefeito Ricardo Nunes. Os servidores protestam contra o Projeto de Lei nº 416/2025, de autoria do Executivo municipal, que prevê um reajuste geral anual parcelado de 2,60% em maio de 2025 e 2,55% em maio de 2026 para ativos e aposentados com paridade, além de um percentual de 6,27% aplicado somente aos pisos salariais do magistério.

A categoria critica a falta de diálogo por parte da prefeitura, uma vez que o projeto de lei foi enviado à Câmara de Vereadores sem discussão prévia com as entidades representativas dos servidores. Os índices propostos também são considerados insuficientes para repor a inflação acumulada, e a ausência de incorporação já afeta 44% da tabela de remuneração. A reivindicação dos professores é por um reajuste salarial linear de 12,90%.

Outro ponto de tensão é a judicialização da greve pela prefeitura, que obteve decisão favorável do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinando a manutenção de 70% dos profissionais em atividade. A medida é vista pelos sindicatos como uma tentativa de intimidar o movimento grevista.

“Não vamos nos intimidar. A decisão de greve foi coletiva e refletiva em função das medidas que vêm sendo adotadas pelo governo, que destroem direitos e carreiras, depois de um longo processo de tentativa de negociação”, declarou Cláudio Fonseca, presidente do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo). Ele ressaltou que a pauta de reivindicações da Coeduc (Sinpeem, Sedin e Sinesp) foi protocolada em fevereiro, sem obter retorno da prefeitura.

Claudete Alves, presidente em exercício do Sedin (Sindicato dos Educadores da Infância Paulistana), denunciou a postura do governo municipal. “É um governo que falta com a verdade o tempo todo. Nós aprovamos a greve 1h da tarde, 1h30, eles (governo) entraram com pedido de judicialização 9h40 da manhã. Falam que respeitam o direito de greve e antes da gente deflagrar a greve, entram com judicialização”, afirmou.

Ela também contestou a alegação da prefeitura de que não foi informada sobre a greve e que estava negociando com a categoria. “É mentira! Nós apresentamos o calendário (de atividades). Ele alega que estava negociando conosco. É mentira. O único dia que fomos recebidos eles alegaram que estavam estudando as reivindicações. Tanto é que nos chamaram no dia 15 agora para uma reunião, para uma devolutiva da Campanha Salarial na Secretaria da Educação. E aí, dois dias antes, eles mandam o projeto para a Câmara com essa provocação”, completou Claudete.

Uma nova manifestação e assembleia estão agendadas para esta quarta-feira (23), às 13h, em frente à Câmara Municipal, com o objetivo de pressionar os vereadores a rejeitarem o PL 416/2025 e atenderem às demandas dos professores.