A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) divulgou a identificação de Grenaldo de Jesus da Silva e Denis Casemiro, no contexto do Projeto Perus, marcando um importante passo na longa jornada por memória, verdade e justiça em relação às vítimas da ditadura militar no Brasil (1964-1985). O anúncio representa um alento para os familiares, que por décadas transformaram a dor da ausência em uma busca incansável por respostas sobre o destino de seus entes queridos.
A retomada das atividades da CEMDP, após tentativas de enfraquecimento e extinção, simboliza a resistência contra o apagamento da história promovido por governos anteriores. A comissão, composta por familiares e especialistas, tem enfrentado desafios para elucidar os casos de centenas de brasileiros que foram mortos e desapareceram durante o regime autoritário, deixando um legado de arquivos fechados, documentos ocultos e impunidade para os responsáveis.
A identificação de Grenaldo de Jesus da Silva e Denis Casemiro é fruto do trabalho contínuo do Projeto Perus, que desde a descoberta de uma vala clandestina no Cemitério de Perus, em São Paulo, em 1990, exumou mais de mil remanescentes ósseos. A análise minuciosa do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp, em colaboração com instituições nacionais e internacionais, tem sido fundamental para trazer à luz a verdade sobre esses desaparecimentos.
A identificação de Denis Casemiro possui um significado particular, pois ele era irmão de Dimas Casemiro, outro desaparecido político identificado pelo mesmo projeto em 2018. A história de Denis representa a de uma geração de militantes que foram assassinados e silenciados, mas que agora, graças à persistência dos que lutam contra o esquecimento, têm suas vidas e memórias resgatadas.
O trabalho da CEMDP e do Projeto Perus, impulsionado pela coragem e determinação dos familiares, especialmente as mulheres, que nunca desistiram de buscar a verdade, clama por mais ação do Estado brasileiro. A demanda é pela abertura de arquivos, priorização de investigações, e garantia de orçamento, autonomia e continuidade para a CEMDP, até que todos os casos de desaparecimento sejam elucidados e os responsáveis pelos crimes da ditadura sejam responsabilizados.
Enquanto houver famílias aguardando notícias de seus entes queridos, ossadas não identificadas e torturadores impunes, a democracia brasileira carregará o peso de uma promessa de justiça ainda não cumprida.













