Brasília – O currículo escolar brasileiro pode passar por uma mudança significativa em breve. O Projeto de Lei do Senado (PLS 221/2015), de autoria do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), propõe que a educação ambiental deixe de ser apenas um tema abordado dentro de outras matérias para se tornar uma disciplina obrigatória e autônoma.
O projeto já deu o primeiro passo importante: foi aprovado na Comissão de Meio Ambiente (CMA) e agora segue para análise definitiva na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
O argumento pela Disciplina Obrigatória
Para o autor da proposta, o modelo atual — onde o tema é tratado de forma integrada a outras disciplinas — é insuficiente. O senador defende que uma matéria exclusiva permitiria um aprofundamento maior em dimensões críticas da sustentabilidade, tais como:
-
Técnicas avançadas de reciclagem;
-
Políticas de reuso de água;
-
Conscientização sobre mudanças climáticas e preservação de biomas.
O relator do projeto, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), reforça a ideia de que a escola é o motor principal para atingir “100% de consciência ambiental” na sociedade.
A divergência: Transversalidade ou Excesso de Cargas?
Apesar do mérito da causa, o projeto enfrenta resistência de especialistas em pedagogia e de parte dos parlamentares. A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) pontuou que o currículo brasileiro já é sobrecarregado de matérias.
Segundo ela, tratar o meio ambiente de forma transversal (em diversas áreas do estudo) não diminui a importância do tema, mas amplia a visão do aluno. “Forma na criança a ideia de analisar a proteção ambiental em diversas áreas do estudo escolar”, argumentou.
Próximos Passos
O debate agora se desloca para a Comissão de Educação, onde o senador João Capiberibe (PSB-AP) espera um aprofundamento técnico. Se aprovado e sancionado, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) será modificada, obrigando escolas públicas e particulares a adaptarem seus quadros de horários.
Número de novos motoristas no Brasil despenca 53% em dois anos