MST cobra do Governo Lula assentamento de 100 mil famílias

MST cobra do Governo Lula assentamento de 100 mil famílias

Vivência no Acampamento Marielle Franco. Fotos: Henrique Queiroz/MST
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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) enviou uma carta ao governo Lula, solicitando o assentamento de 100 mil famílias que, segundo o movimento, permanecem acampadas em diversas regiões do Brasil. O documento, que expressa descontentamento com a atuação da administração petista, também contesta os números de assentamentos apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, além de criticar o Congresso Nacional por favorecer os interesses do agronegócio.

A carta foi divulgada após quatro dias de reuniões da cúpula do MST em Belém (PA). No texto, o movimento afirma que a reforma agrária está paralisada sob o atual governo, questionando a eficácia das políticas que há muito são uma bandeira do Partido dos Trabalhadores.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, liderado por Paulo Teixeira, cerca de 71,4 mil famílias foram assentadas em 2024. O governo havia se comprometido a incorporar 295 mil novas famílias ao Programa Nacional de Reforma Agrária até 2026. No entanto, o MST contesta esses números, afirmando que apenas 38,9 mil das famílias contabilizadas passaram por um processo de regularização, o que não é considerado um assentamento pelo movimento.

A carta do MST menciona: “No campo, aponta-se para uma paralisação da Reforma Agrária. Soma-se a isto, a atuação perversa da maioria do Congresso Nacional, que legisla em prol dos interesses do grande capital”. O movimento também expressou seu compromisso em pressionar o governo para assentar as 100 mil famílias acampadas e lutar pela demarcação de territórios indígenas e quilombolas.

Adicionalmente, o MST manifestou apoio a países como Cuba, Palestina e Venezuela, com representantes do movimento presentes na recente posse de Nicolás Maduro, que enfrenta críticas por seu regime autoritário.

Entre as reivindicações, o MST destacou a busca por justiça após os assassinatos de dois militantes, Valdir do Nascimento e Gleison Carvalho, que ocorreram em janeiro, evidenciando a crescente violência no campo desde 2021.