Organizações, meios de comunicação e milhares de usuários têm excluído suas contas da plataforma X, de propriedade do multimilionário Elon Musk. O principal motivo é o alinhamento de Musk com a extrema direita e sua interferência nas eleições de vários países. No entanto, essa não é a única razão para dar as costas a Musk e ao X.
Essa plataforma se tornou uma máquina de desinformação, promovendo discursos de ódio e aumentando conteúdos sensacionalistas e violentos.
Ao mesmo tempo, o X atua como uma caixa de ressonância para teorias da conspiração e mensagens racistas, privilegiando sua disseminação por meio de contas impersonais, bots e trolls, favorecidos por seus algoritmos.
Além disso, o X e seu proprietário demonstram uma clara atitude antidemocrática, arrogante e até criminosa, ao se recusarem a cumprir normas legais estabelecidas. Um exemplo claro disso é a investigação iniciada pela Comissão Europeia sobre possíveis infrações à Lei de Serviços Digitais vigente na União Europeia, em aspectos relacionados à gestão de riscos, moderação de conteúdo, interfaces enganosas, transparência da publicidade e acesso de pesquisadores.
No Brasil, o Supremo Tribunal decidiu pela suspensão temporária dessa plataforma, alegando que ela pretende instituir um ambiente de total impunidade e uma “terra sem lei”, facilitando a atuação de grupos extremistas e milícias digitais nas redes sociais, mediante a “divulgação massiva de discursos nazistas, racistas, fascistas, de ódio e antidemocráticos”.
Um aspecto extremamente perigoso é a circulação massiva, na rede X, de mensagens que apoiam o armamentismo, guerras e os interesses geopolíticos dos Estados Unidos, além das ações genocidas de Israel, censurando conteúdos pró-palestinos. Isso é reforçado pela vinculação de empresas de Musk, como a SpaceX, que possui volumosos contratos com a NASA e o Departamento de Defesa dos EUA.
É evidente no X o viés de mercantilização total, o impulso à especulação financeira, às criptomoedas e a censura explícita ou velada a mensagens que promovem harmonia e justiça social.
Além disso, é importante lembrar que o X é uma plataforma centralizada, o que contribui para a concentração de poder em poucas mãos, indo contra a internet que defendemos, que deve ser democrática e nas mãos do povo, e se opõe ao ideal de uma sociedade equitativa e solidária ao qual aderimos.
Não podemos esquecer que essa é a mesma estrutura das plataformas da Meta e outras corporativas, que monopolizam os espaços digitais e se apropriam extorsivamente de nossos conteúdos e dados, o que requer uma severa revisão crítica de sua utilização.
Por todas essas razões, o espaço latino-americano e caribenho Internet Ciudadana, que articula diversos setores sociais em prol de uma internet dos povos, decidiu fechar sua conta na plataforma X e incentiva organizações e pessoas a migrarem para plataformas livres, federadas e descentralizadas do Fediverso.
Texto traduzido por Amilton Farias para Fronteira Livre













