CURITIBA | PR – O acesso à justiça para mulheres vítimas de violência doméstica no Paraná ganhou um aliado tecnológico decisivo. O programa Ampara, iniciativa da Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR), completa um ano de atividades com números que validam a eficácia do modelo remoto: 2.099 atendimentos realizados em 80 municípios. O impacto é ainda mais relevante geograficamente, já que o programa chegou a 48 cidades que ainda não possuem sede física da Defensoria.

Operado por uma equipe exclusivamente feminina sob o Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (NUDEM), o Ampara oferece suporte jurídico e psicossocial gratuito e sigiloso. A plataforma Luna, disponível no site da instituição, é a porta de entrada para quem busca medidas protetivas de urgência, ações de divórcio, guarda ou indenizações, sem a necessidade de deslocamento físico ou registro prévio de boletim de ocorrência.

Alcance e estratégia digital

A coordenadora do NUDEM, Mariana Nunes, destaca que o atendimento vai além do individual, atuando como uma ferramenta estratégica de educação em direitos e prevenção. Para a defensora Natália Marcondes Stephane, responsável pelo Ampara, os dados de 2025 confirmam o acerto da estratégia digital.

“Os números confirmam que a estratégia de atendimento remoto foi acertada e essencial para democratizar o acesso à justiça, chegando onde a Defensoria ainda não está presente fisicamente”, avalia a defensora.

O volume de trabalho concentra-se em frentes urgentes: 430 atendimentos foram focados em Medidas Protetivas de Urgência (MPU). Além disso, o programa avançou em áreas civis, com 71 atendimentos para execuções de indenizações criminais e 64 ações na área de Família voltadas a vítimas de tentativas de feminicídio.

Acolhimento e suporte multidisciplinar

O diferencial do Ampara reside no suporte multidisciplinar. Psicólogas e assistentes sociais realizaram 1.095 atendimentos, focando no fortalecimento subjetivo da mulher. Segundo a psicóloga Jéssica Mendes, uma das idealizadoras do projeto, o objetivo é dar ferramentas para que a mulher compreenda seus direitos e recupere o protagonismo de sua vida.

Histórias como a de Claudia*, que buscou ajuda enquanto cuidava de uma bebê de dois meses, reforçam a necessidade do formato virtual. “O fato de ser totalmente virtual facilitou demais a minha vida. Foi um suporte imenso”, relata a usuária, cujo nome foi preservado.

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