Curitiba, PR – Uma campanha publicitária envolvendo os personagens Smurfs, veiculada por uma rede de supermercados, está sob escrutínio da Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR) e do Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR). Ambos os órgãos recomendaram a interrupção imediata da ação promocional, que incentiva a compra de produtos e o acúmulo de selos para troca por bonecos infantis, argumentando que o conteúdo configura publicidade abusiva direcionada a crianças.
O documento, de caráter administrativo, foi emitido com um prazo de 72 horas para resposta da empresa. O não cumprimento da recomendação poderá levar à adoção de medidas judiciais cabíveis, sinalizando a seriedade com que as instituições encaram a questão.
Fernando Redede, defensor público e coordenador do Núcleo da Infância e Juventude (NUDIJ), enfatizou a base jurídica para a ação: “Tribunais superiores já reconheceram a ilicitude e a abusividade de publicidade indireta para crianças de produtos infantis mediante venda direta para adultos em contexto de campanhas de marketing”. Redede reforçou a prioridade no bem-estar infantil: “É importante lembrarmos que ações, sejam da administração pública, sejam de entidades privadas, devem sempre ser orientadas pelo melhor interesse das crianças, o que inclui as práticas comerciais”. Pela DPE-PR, o Núcleo de Defesa do Consumidor (NUDECON) também assina o documento.
O texto da recomendação aponta que os materiais publicitários da campanha buscam explorar a inexperiência do público infantil, exercendo uma pressão consumista. Defensoria e Ministério Público destacaram ainda que a divulgação da campanha ocorreu em diversas plataformas, incluindo redes sociais, pré-sessões de cinema de filmes infantis e canais de televisão, ampliando seu alcance sobre as crianças.