Durante a 2ª Cúpula Global da Coalizão para Alimentação Escolar, realizada nos dias 18 e 19 de setembro, em Fortaleza (CE), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) foi destaque como uma das políticas públicas mais robustas do mundo no combate à fome e na promoção da educação.

O evento, promovido pelo Governo do Brasil, em parceria com o Programa Mundial de Alimentos (PMA/ONU), reuniu delegações de 80 países e mais de 1.500 participantes, consolidando o papel de liderança do Brasil na agenda global de segurança alimentar e nutricional.

🍛 Nutrição e aprendizado: uma política de Estado

Em entrevista à Voz do Brasil, a presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Fernanda Pacobahyba, destacou a importância do PNAE na garantia do direito à alimentação saudável e de qualidade para estudantes da rede pública.

“O nosso PNAE garante cerca de 50 milhões de refeições saudáveis por dia a quase 40 milhões de estudantes. Logicamente, não existe a possibilidade de educação com a criança com fome, e isso contribui para a aprendizagem, o crescimento e a formação dos hábitos alimentares dessas crianças e jovens”, afirmou Fernanda.

A dirigente reforçou o compromisso do país em seguir como referência internacional.

“Qual é a nossa grande meta? Que o PNAE brasileiro continue a ser o maior programa do planeta, inspirando avanços não só aqui, mas no mundo como um todo”, completou.

Segundo ela, o programa é exemplo de como nutrição e educação caminham juntas, promovendo desenvolvimento humano, igualdade social e melhor desempenho escolar.

🌍 Relatório global mostra avanços e protagonismo brasileiro

Durante a cúpula, foi apresentado o relatório “O Estado da Alimentação Escolar 2024”, que apontou crescimento expressivo no número de crianças atendidas em todo o mundo.

“Hoje, cerca de 466 milhões de crianças recebem refeições nas escolas. Isso representa um incremento de quase 80 milhões em relação a quatro anos atrás, e o mais significativo: quase 60% desse avanço ocorreu em países de baixa renda, especialmente na África”, destacou Fernanda Pacobahyba.

A presidente do FNDE observou que os números comprovam o fortalecimento da alimentação escolar como instrumento estratégico de política pública global.

“O Brasil é líder desse movimento junto com França e Finlândia e tem todos os méritos nessa conquista”, disse.

🏫 Como o PNAE funciona

O FNDE é responsável por repassar automaticamente os recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar em até 10 parcelas anuais, entre fevereiro e novembro, às secretarias estaduais e municipais de educação.

Para as escolas federais, os créditos são destacados em parcela única no início de cada exercício. Os valores variam conforme a etapa de ensino e a localização das escolas.

Um dos pilares da política é o estímulo à agricultura familiarno mínimo 30% dos recursos devem ser usados na compra direta de gêneros alimentícios produzidos por pequenos agricultores, cooperativas e comunidades locais, fortalecendo a economia rural e garantindo alimentos mais frescos e diversificados nas escolas.

🤝 Cúpula reforça compromissos globais

A Cúpula Global da Coalizão para Alimentação Escolar é o maior encontro mundial sobre o tema. Em sua segunda edição, reafirmou o compromisso das nações participantes em garantir alimentação saudável, nutritiva e inclusiva para todas as crianças.

A presidente do FNDE lembrou que a meta global da coalizão é assegurar que 724 milhões de crianças tenham acesso a pelo menos uma refeição nutritiva por dia até 2030.

Entre as autoridades brasileiras presentes estavam o ministro da Educação, Camilo Santana, e o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.