Brasil planeja sair do mapa da fome até 2026 com novo plano de segurança alimentar

Brasil planeja sair do mapa da fome até 2026 com novo plano de segurança alimentar

Pleno Ministerial da Caisan aprovou o III Plano com decisão unânime. Foto: André Oliveira / MDS
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O Diário Oficial da União publicou nesta quarta-feira, 5 de março, a aprovação do III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan) 2025-2027. Este plano é o principal instrumento da política brasileira voltada à segurança alimentar e nutricional e reafirma o compromisso do Governo Federal de erradicar a fome no Brasil até 2026.

A decisão pela aprovação unânime foi tomada pelo Pleno Ministerial da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) na segunda quinzena de fevereiro. O documento apresenta 18 estratégias intersetoriais e 219 iniciativas que visam enfrentar desafios como o aumento dos preços dos alimentos, a fome em regiões específicas (como a Amazônia, comunidades indígenas e população em situação de rua) e os impactos das mudanças climáticas.

“É um marco no processo de reconstrução das políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, parte do esforço do governo brasileiro para erradicar a fome e garantir o direito humano à alimentação adequada da população”, afirmou o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome).

Diretrizes estratégicas

O III Plansan apresenta oito diretrizes estratégicas:

  1. Fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) com governança participativa e intersetorial.
  2. Superação da fome por meio de acesso à renda e políticas públicas.
  3. Garantia de acesso à terra e à água.
  4. Desenvolvimento de sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas.
  5. Fomento à produção de alimentos saudáveis por agricultores familiares e comunidades tradicionais.
  6. Redução da má nutrição e promoção de uma alimentação adequada e saudável.
  7. Garantia do direito humano à alimentação adequada para populações vulneráveis, combatendo desigualdades.
  8. Cooperação internacional com base no Direito Humano à Alimentação Adequada.

A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, Valéria Burity, destacou a importância do Plansan, afirmando que o plano “mapeia as ações que o Governo Federal já possui em relação à segurança alimentar e nutricional, buscando integrar essas ações para torná-las mais efetivas”. Ela enfatizou que o plano direciona esforços a públicos e territórios que enfrentam situações mais graves de insegurança alimentar.

Inovação multissetorial

O novo plano inova ao articular iniciativas já existentes, como o Plano Brasil Sem Fome, o Plano Nacional de Abastecimento Alimentar (Planab), e o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo). Também inclui diretrizes específicas para regiões mais vulneráveis, como a Amazônia e os territórios indígenas.

Valéria explicou que o governo não adotou um plano de segurança alimentar em 2023 devido à necessidade de realizar a Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional, que não ocorreu após a extinção do Conselho de Segurança Alimentar em 2019.

Caisan e suas funções

Criada pela Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan) em 2006, a Caisan é o órgão responsável por coordenar políticas e ações relacionadas à segurança alimentar no Brasil. Composta por 24 ministérios, a Caisan tem como missão garantir o direito humano à alimentação adequada, promovendo o acesso a alimentos saudáveis e sustentáveis e valorizando a agricultura familiar.