Foz do Iguaçu–PR – A dança voltou a ocupar o centro da cena cultural da Tríplice Fronteira neste fim de semana. A 28ª edição do Cataratas Festival de Danças do Mercosul reuniu cerca de 500 bailarinos e mais de 110 coreografias no Centro de Convenções de Foz do Iguaçu, consolidando o evento como um dos mais tradicionais e persistentes espaços de formação artística da região.
Idealizado há mais de três décadas pela professora e coreógrafa Norma Mabel Pellegrini, o festival nasceu com um propósito claro: descobrir talentos e conectar a produção cultural do Mercosul. Ao longo dos anos, esse objetivo ultrapassou fronteiras.
“Há 31 anos realizo esse festival entre Argentina e Brasil. A ideia sempre foi descobrir talentos do Mercosul — e conseguimos. Muitos bailarinos que passaram por aqui hoje brilham nos Estados Unidos e na Europa. Foz tem talentos incríveis. Uma pena não termos apoio. Hoje, fazer arte é por amor mesmo”, afirma Norma.
A edição deste ano contou com a participação de 15 academias da região, reunindo bailarinos de diferentes estilos, idades e trajetórias. Mais do que uma competição, o encontro se firmou como um espaço de troca, visibilidade e construção coletiva da arte na fronteira.
Arte que resiste na fronteira
Em uma região marcada por fluxos culturais intensos, a dança tem papel fundamental na construção de identidade e pertencimento. Em Foz do Iguaçu, onde diferentes culturas se encontram diariamente, eventos como o Festival de Danças do Mercosul se tornam mais do que apresentações — são ferramentas de transformação social.
A cada edição, o palco revela histórias que vão além da técnica. Jovens que encontram na arte uma possibilidade de futuro, professores que mantêm escolas ativas apesar das dificuldades e comunidades que resistem pela cultura.
Mesmo com o alcance internacional e o impacto na formação de artistas, o festival ainda enfrenta um desafio recorrente: a falta de apoio estrutural e financeiro.
A organização já projeta a próxima edição e busca patrocinadores para garantir a continuidade do evento em 2027 — um reflexo da realidade de muitos projetos culturais que sobrevivem na base do esforço coletivo.
Da formação à projeção internacional
O festival não termina no palco. Ele segue ao longo do ano com etapas e culmina em setembro, nos dias 4, 5 e 6, quando acontece a grande final do Mercosul, reunindo os premiados das etapas anteriores.
Esse ciclo amplia as oportunidades para bailarinos da região, criando caminhos que começam muitas vezes em academias locais e podem chegar a palcos internacionais.
Ao longo de sua história, o Cataratas Festival de Danças já revelou nomes que hoje atuam fora do país — um indicativo do potencial artístico presente na fronteira.
Mais que espetáculo, um ato de permanência
Se a arte exige palco, também exige resistência. Em um cenário onde políticas culturais ainda são frágeis e o acesso a financiamento é limitado, manter um festival ativo por mais de 30 anos é, por si só, um posicionamento.
A fala de Norma resume o espírito do evento:
“A arte cura.”
Em Foz do Iguaçu, essa cura passa pela dança, pelo encontro e pela insistência de quem segue acreditando que cultura não é acessório — é base.
Contato: Norma Mabel Pellegrini
📱 WhatsApp: +54 9 3757 55-7396
📲 Instagram: @festivaldanzasdelmercosur
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