Hannover, Alemanha – Em um cenário global marcado por conflitos, desigualdade e disputas comerciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) a construção de um novo modelo de desenvolvimento baseado em cooperação internacional e equilíbrio entre nações. A declaração foi feita durante a abertura da Feira Industrial de Hannover 2026, considerada a principal vitrine global da indústria e da inovação.
Diante de lideranças políticas e empresariais, Lula apresentou o Brasil como parceiro estratégico em áreas como energia limpa, minerais críticos e descarbonização da indústria, ao mesmo tempo em que fez críticas ao atual modelo econômico global.
“Um novo paradigma de desenvolvimento requer um multilateralismo justo e equilibrado”, afirmou o presidente.
Lula apontou que os benefícios da globalização não têm sido distribuídos de forma igual, o que, segundo ele, contribui para o avanço do extremismo em diferentes partes do mundo.
“Sabemos que os ganhos da integração de mercados não vêm sendo igualmente distribuídos. O crescimento do extremismo é reflexo de um modelo cujos benefícios não chegam a todos”, disse.
O presidente também alertou para os impactos diretos das guerras na economia global, destacando efeitos como aumento do preço da energia, encarecimento dos alimentos e insegurança alimentar.
Brasil aposta em energia limpa e indústria sustentável
Durante o discurso, Lula reforçou o posicionamento do Brasil como potência na transição energética. Segundo ele, o país reúne condições únicas para liderar a produção de combustíveis renováveis e ampliar sua presença na economia verde.
O presidente destacou que o Brasil possui matriz elétrica majoritariamente limpa e experiência consolidada na produção de biocombustíveis, além de potencial para liderar a produção de hidrogênio verde.
“A transição energética é também um imperativo climático. O planeta não comporta mais o uso intensivo de combustíveis fósseis”, afirmou.
Outro ponto central foi o papel dos minerais estratégicos na economia global. Lula defendeu que países produtores, como o Brasil, avancem além da exportação de matéria-prima.
“Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities minerais. Esses recursos devem gerar desenvolvimento econômico e social”, declarou.
Segundo ele, o país busca parcerias internacionais que incluam transferência de tecnologia e agregação de valor à produção.
Lula voltou a defender mudanças na governança internacional, com críticas à estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU) e ao funcionamento do sistema multilateral.
Para o presidente, o atual modelo não representa a realidade geopolítica contemporânea nem garante participação equilibrada entre os países, especialmente os do Sul Global.
“A incorporação efetiva dos interesses do Sul Global é condição para que os arranjos internacionais sejam legítimos”, afirmou.
Acordos comerciais e integração econômica
O presidente também destacou o acordo entre Mercosul e União Europeia como exemplo de cooperação internacional em meio ao avanço do protecionismo global.
Segundo ele, a ampliação de mercados e investimentos pode gerar empregos e fortalecer cadeias produtivas entre os dois blocos.
Ao apresentar o cenário econômico brasileiro, Lula afirmou que o país vive um momento de estabilidade e crescimento, com aumento de investimentos, redução do desemprego e expansão da renda.
O presidente também citou políticas voltadas à reindustrialização, inovação e inclusão social, além de iniciativas como o Pix, apontado como referência global em tecnologia financeira.
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