Lula defende novo modelo global e amplia agenda de investimentos na Alemanha

Lula defende novo modelo global e amplia agenda de investimentos na Alemanha

Brasil busca ampliar investimentos e parcerias globais. Foto: Ricardo Stuckert/PR
WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn

Hannover, Alemanha – Em um cenário global marcado por conflitos, desigualdade e disputas comerciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) a construção de um novo modelo de desenvolvimento baseado em cooperação internacional e equilíbrio entre nações. A declaração foi feita durante a abertura da Feira Industrial de Hannover 2026, considerada a principal vitrine global da indústria e da inovação.

Diante de lideranças políticas e empresariais, Lula apresentou o Brasil como parceiro estratégico em áreas como energia limpa, minerais críticos e descarbonização da indústria, ao mesmo tempo em que fez críticas ao atual modelo econômico global.

“Um novo paradigma de desenvolvimento requer um multilateralismo justo e equilibrado”, afirmou o presidente.

Lula apontou que os benefícios da globalização não têm sido distribuídos de forma igual, o que, segundo ele, contribui para o avanço do extremismo em diferentes partes do mundo.

“Sabemos que os ganhos da integração de mercados não vêm sendo igualmente distribuídos. O crescimento do extremismo é reflexo de um modelo cujos benefícios não chegam a todos”, disse.

O presidente também alertou para os impactos diretos das guerras na economia global, destacando efeitos como aumento do preço da energia, encarecimento dos alimentos e insegurança alimentar.

Brasil aposta em energia limpa e indústria sustentável

Durante o discurso, Lula reforçou o posicionamento do Brasil como potência na transição energética. Segundo ele, o país reúne condições únicas para liderar a produção de combustíveis renováveis e ampliar sua presença na economia verde.

O presidente destacou que o Brasil possui matriz elétrica majoritariamente limpa e experiência consolidada na produção de biocombustíveis, além de potencial para liderar a produção de hidrogênio verde.

“A transição energética é também um imperativo climático. O planeta não comporta mais o uso intensivo de combustíveis fósseis”, afirmou.

Outro ponto central foi o papel dos minerais estratégicos na economia global. Lula defendeu que países produtores, como o Brasil, avancem além da exportação de matéria-prima.

“Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities minerais. Esses recursos devem gerar desenvolvimento econômico e social”, declarou.

Segundo ele, o país busca parcerias internacionais que incluam transferência de tecnologia e agregação de valor à produção.

Lula voltou a defender mudanças na governança internacional, com críticas à estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU) e ao funcionamento do sistema multilateral.

Para o presidente, o atual modelo não representa a realidade geopolítica contemporânea nem garante participação equilibrada entre os países, especialmente os do Sul Global.

“A incorporação efetiva dos interesses do Sul Global é condição para que os arranjos internacionais sejam legítimos”, afirmou.

Acordos comerciais e integração econômica

O presidente também destacou o acordo entre Mercosul e União Europeia como exemplo de cooperação internacional em meio ao avanço do protecionismo global.

Segundo ele, a ampliação de mercados e investimentos pode gerar empregos e fortalecer cadeias produtivas entre os dois blocos.

Ao apresentar o cenário econômico brasileiro, Lula afirmou que o país vive um momento de estabilidade e crescimento, com aumento de investimentos, redução do desemprego e expansão da renda.

O presidente também citou políticas voltadas à reindustrialização, inovação e inclusão social, além de iniciativas como o Pix, apontado como referência global em tecnologia financeira.

https://webapp412267.ip-45-33-11-209.cloudezapp.io/climatempo/frente-fria-parana-tempo-chuva-temperatura