A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou um projeto de lei que estabelece a obrigatoriedade da inclusão de acostamentos em todas as novas construções de rodovias estaduais. O objetivo principal da medida é assegurar maior segurança nas estradas e preservar vidas humanas.

A nova exigência se aplica tanto às obras executadas diretamente pelo Governo do Estado quanto àquelas delegadas a empresas privadas, como as concessionárias de pedágio. A única exceção prevista no texto é para trechos urbanos, desde que haja uma justificativa técnica devidamente aprovada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR).

São situações que, infelizmente, se repetem todas as semanas no Paraná. Não podemos mais aceitar que uma rodovia seja projetada sem prever uma área de escape para emergências. Acostamento não é luxo, é infraestrutura mínima de segurança. Pode ser a diferença entre a vida e a morte”, afirmou o deputado Evandro Araújo (PSD), autor do projeto, que conta com coautoria dos deputados Gugu Bueno (PSD), Luiz Claudio Romanelli (PSD) e Professor Lemos (PT).

Cenário atual das rodovias e a necessidade da medida

Dados fornecidos pelo DER-PR reforçam a urgência da medida. Atualmente, 32,67% da malha rodoviária estadual não possui nenhum tipo de acostamento. Outros 17,26% contam com áreas com menos de 0,90 metro de largura, espaço considerado insuficiente até mesmo para um carro pequeno. Apenas 50,08% das rodovias possuem acostamentos acima de 0,90 metro, um índice ainda abaixo do recomendado pelo Manual de Projeto Geométrico do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que estabelece 2 metros como padrão ideal.

É claro que estamos lidando com um passivo histórico, de projetos antigos. Mas, pensando no futuro, nas novas obras que virão, essa exigência precisa estar prevista desde o início. Com esse projeto, o Paraná dá um passo importante para uma malha rodoviária mais segura”, complementou Araújo.

Para o 1º secretário da Assembleia Legislativa, deputado Gugu Bueno, a medida reflete a preocupação em garantir estradas mais seguras e compatíveis com a realidade produtiva e econômica atual do interior paranaense. “É um projeto visando, absolutamente, à segurança das nossas rodovias. A gente sabe que muitas rodovias do Paraná foram projetadas nas décadas de 60 e 70, as nossas famosas PRs, e muitas foram construídas na época sem acostamento. Ocorre que nós tivemos um aumento de tráfego muito grande no interior do nosso Estado e nossa capacidade produtiva aumentou. Então, as nossas rodovias, de fato, têm uma trafegabilidade muito intensa. E, claro, não ter acostamento aumenta a possibilidade de acidentes”, explicou o deputado.

Gugu Bueno também destacou que o Paraná se mantém na vanguarda em segurança viária e investimentos em infraestrutura. “O Paraná, mais uma vez, está na vanguarda. Hoje, o Estado, graças à gestão do nosso governador Ratinho Júnior, tem uma boa capacidade financeira para fazer esses investimentos. A gente sabe, óbvio, que a obra de uma rodovia fica muito mais cara quando você precisa projetar, além do leito da rodovia, também o acostamento, mas a vida humana vale muito mais do que qualquer coisa”, finalizou.

Prevenção de acidentes e inovação na Legislação

A proposta nasceu da preocupação com o elevado número de acidentes em rodovias estaduais sem acostamento, uma realidade ainda presente em diversas regiões do Paraná. Em trechos como a PR-180, entre Cascavel e Boa Vista da Aparecida, a ausência dessa infraestrutura representa um risco constante para quem transita pela via. A medida visa garantir mais segurança para motoristas, ciclistas e pedestres que utilizam as estradas paranaenses.

Uma emenda ao projeto também prevê que, quando tecnicamente justificável e não for possível a implantação do acostamento em toda a extensão da rodovia, deverão ser previstas áreas de estacionamento de acordo com a topografia e o volume de tráfego. Essa medida busca assegurar pontos de parada de emergência, mesmo em trechos onde a construção contínua do acostamento não seja viável.

Atualmente, não existe uma legislação federal que obrigue a inclusão de acostamentos em novas rodovias. Há apenas um projeto ainda em tramitação na Câmara dos Deputados (PL 8071/2014). O Paraná, portanto, se antecipa com uma norma estadual que preenche essa lacuna e busca aprimorar as condições de segurança viária em seu território.

O acostamento, conforme definição do Código de Trânsito Brasileiro, é a parte da via diferenciada da pista de rolamento, destinada à parada ou estacionamento de veículos em caso de emergência, além de ser espaço para circulação de pedestres e ciclistas quando não houver local apropriado para esse fim. Sua presença é fundamental para a proteção da vida, contribuindo para a melhoria da segurança viária, o aumento da capacidade de tráfego e a preservação do pavimento das pistas principais. A ausência de acostamento aumenta o risco de acidentes e dificulta ações emergenciais nas estradas.

Casos reais reforçam a urgência da eedida

A falta de acostamento, muitas vezes combinada a falhas mecânicas, é um dos fatores mais recorrentes em acidentes fatais nas rodovias paranaenses. Um caso recente, ocorrido em junho deste ano na PR-317, em Nossa Senhora das Graças, exemplifica a tragédia: um homem de 61 anos, ao descer do veículo para empurrá-lo após uma pane em um trecho de pista simples e sem acostamento, foi atropelado por um caminhão e morreu no local.

Outro incidente semelhante aconteceu no quilômetro 35 da PR-438, entre Ponta Grossa e Teixeira Soares. Sem acostamento, um motorista precisou trocar um pneu furado na pista. Seu carro foi atingido por uma van Ducato, provocando a morte do condutor da van, de 34 anos, e de uma criança de 11 anos que o acompanhava. A falta de acostamento também representa risco constante para ciclistas e pedestres. Na PR-455, em Marialva, em março deste ano, um ciclista perdeu a vida após ser atropelado por um caminhão que trafegava no mesmo sentido, em um trecho de pista simples e sem acostamento.