A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã de quarta-feira (19), a Operação Aldeia Verde, com ações em Piauí e Paraná para desarticular uma quadrilha acusada de grilagem de terras pertencentes aos povos indígenas Akroá-Gamella e Guegue do Sangue. A operação resultou em prisões e na execução de mandados de busca e apreensão.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso era composto por empresários, agentes públicos e corretores de imóveis que utilizavam falsos posseiros para adquirir terras indígenas a preços significativamente inferiores aos de mercado. Esses intermediários, que atuavam como “laranjas”, participavam de processos forjados no Instituto de Terras do Piauí (Interpi).
A PF destacou que documentos eram falsificados para a venda ilegal de terras da União, incluindo áreas de proteção ambiental. Desde 2018, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) já havia iniciado procedimentos demarcatórios nas regiões afetadas.

Contexto do Crime
Informações do Ministério Público Federal (MPF) do Piauí revelaram que episódios de grilagem se intensificaram durante o período eleitoral, culminando em ameaças de morte e conflitos nas comunidades indígenas. O MPF instaurou o inquérito que deu origem à operação, com mandados de prisão e busca em várias cidades, incluindo Teresina e Maringá.
As investigações, iniciadas em 2022, revelaram que o grupo invadiu cerca de 6.600 hectares de terras tradicionalmente ocupadas pela etnia indígena Akroá-Gamella. A quadrilha também forneceu armas para invasores que atuavam sob sua direção, como parte de uma estratégia para proteger as áreas ocupadas.

Funcionamento do Esquema
Os intermediários do esquema identificavam terras devolutas e procuravam empresários do agronegócio dispostos a adquirir essas áreas. Utilizando recursos obtidos por meio dessas transações, cooptavam trabalhadores rurais, incluindo indígenas, oferecendo dinheiro e outros benefícios para garantir a ocupação das terras.
Para legitimar as invasões, os posseiros emitiam procurações que permitiam aos intermediários representar seus interesses junto aos órgãos públicos. A investigação do MPF aponta que a quadrilha pagava propina a funcionários do Interpi e utilizava métodos fraudulentos para obter certidões de regularização das terras.













