Indiciado pela Polícia Federal, neto de ditador brasileiro se encontra com bolsonaristas nos EUA

Indiciado pela Polícia Federal, neto de ditador brasileiro se encontra com bolsonaristas nos EUA

Da esquerda para a direita: Coronel Rosses, Marcel Van Hattem, Eduardo Girão, Jorge Seif, Mario Frias, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Sóstenes Cavalcante Imagem: Reprodução/Instagram
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Paulo Figueiredo, neto de ditador João Figueiredo, último presidente do regime militar brasileiro, participou de um encontro com parlamentares bolsonaristas durante uma viagem aos Estados Unidos para acompanhar a posse de Donald Trump. O encontro contou com a presença de figuras como Eduardo Bolsonaro, Bia Kicis e Jorge Seif.

Figueiredo é um dos indiciados pela Polícia Federal em uma investigação que apura tentativas de golpe de Estado. Ele é acusado de colaborar com militares ao vazar documentos para pressionar o Alto Comando do Exército a apoiar ações golpistas.

De acordo com o relatório da PF, sua conexão com o meio militar, devido à sua linhagem, foi um dos fatores que o tornaram um candidato para essa função. Durante sua estadia nos Estados Unidos, Figueiredo foi fotografado ao lado de outros políticos brasileiros, incluindo o foragido Allan dos Santos.

Além disso, conforme informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Figueiredo foi condenado em dezembro pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a pagar multas que totalizam R$ 102 milhões por supostas operações fraudulentas associadas ao Trump Hotel, um projeto hoteleiro que ele tentou implementar no Brasil.

A associação de Figueiredo a Trump começou em 2013, mas o projeto enfrentou vários problemas, incluindo os desdobramentos da Operação Circus Maximus, que investigou pagamentos de propinas a diretores do Banco de Brasília (BRB) relacionados a investimentos no hotel. Estima-se que o esquema tenha causado um prejuízo de R$ 400 milhões aos cofres públicos.

Em relação à sua condenação, a defesa de Figueiredo argumentou que o processo continha nulidades, como a falta de citação adequada para sua defesa e depoimentos de delações sem o direito de resposta. A defesa afirma que essas nulidades serão comprovadas em recursos futuros e que Figueiredo não teve o direito ao devido processo respeitado.

A defesa também destacou que a citação tardia foi feita por meio de um “print” da devolução de um envelope, o que, segundo eles, não atende às exigências legais para garantir o direito de defesa. O caso ainda está sujeito a recursos no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN).