Brasília–DF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente, nesta quinta-feira (8), o projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional que reduzia penas e acelerava a progressão de regime de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes do chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado.

A decisão foi anunciada durante cerimônia no Palácio do Planalto que marcou três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. O texto vetado ficou conhecido como “PL da dosimetria”, embora tenha sido classificado por integrantes do governo como um projeto de impunidade.

Projeto reduziria penas e aceleraria soltura

O projeto havia sido aprovado pelo Congresso no apagar das luzes de 2025 e previa mudanças significativas na punição de crimes contra o Estado Democrático de Direito. Entre os principais pontos, a proposta:

Na prática, a medida poderia reduzir drasticamente o tempo de prisão de Jair Bolsonaro, que hoje enfrenta condenação de 27 anos e 3 meses, permitindo sua saída da prisão em poucos anos.

Governo defende punição aos crimes contra a democracia

Durante o evento, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que os crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito são imprescritíveis e não podem ser alvo de benefícios legais.

“Os crimes cometidos contra o Estado democrático, como os praticados no 8 de Janeiro, são imprescritíveis e impassíveis de indulto, graça ou anistia”, declarou.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também se manifestou, destacando que a Justiça não pode ser fragmentada.
“Justiça não se divide, justiça não se fraciona. Sem soberania, democracia é simulacro”, afirmou.

Próximos passos no Congresso e no STF

Com o veto presidencial, o texto retorna ao Congresso Nacional, que poderá manter ou derrubar a decisão. Caso o veto seja rejeitado, a proposta pode ser promulgada pelo presidente da República ou pelo presidente do Senado.

Mesmo que isso ocorra, o projeto deverá ser questionado no Supremo Tribunal Federal (STF), por iniciativa de partidos políticos, entidades da sociedade civil, da Procuradoria-Geral da República e do próprio governo federal.