Em 2024, o Brasil registrou a venda de 2.634.514 veículos novos, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, conforme dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgados na quarta-feira (8). Este resultado representa um crescimento de 14,15% em relação a 2023, quando foram emplacados 2,3 milhões de veículos. É o melhor desempenho do setor em cinco anos, superando a marca de 2,7 milhões de unidades vendidas.

De acordo com o novo presidente da Fenabrave, Arcelio Júnior, o aumento nas vendas foi impulsionado pela manutenção da oferta de crédito e pela diversificação de produtos em todos os segmentos. “Os emplacamentos de 2024 ficaram próximos das projeções apresentadas pela Fenabrave em outubro, superando as expectativas iniciais do ano”, afirmou Júnior.

Para o próximo ano, as projeções de crescimento foram ajustadas para 5%, com uma expectativa total de 2.765.906 veículos vendidos. Tais previsões refletem preocupações quanto aos cenários econômico e político, tanto nacional quanto internacional. A economista Tereza Fernandez, responsável pela análise macroeconômica da Fenabrave, destaca a instabilidade provocada pela administração de Donald Trump nos EUA como um fator preocupante que pode impactar o crescimento global e, consequentemente, o brasileiro.

Fernandez também aponta que o aumento das taxas alfandegárias para importações dos Estados Unidos representa um desafio para o setor em 2025. A economista afirma que, embora a queda nas vendas seja esperada, não se prevê uma desaceleração abrupta do crédito, que deve continuar a um ritmo moderado. A inadimplência permanece baixa, e a nova legislação facilitará a recuperação de ativos em caso de não pagamento, o que pode mitigar a queda nas vendas.

“Embora o cenário fiscal apresente preocupações, não há indícios de uma ruptura significativa, a não ser que ocorram eventos imprevistos”, conclui Tereza Fernandez.