Uma vacina nacional contra a malária vivax, o tipo mais comum da doença no Brasil, está prestes a avançar para a fase de testes em humanos. O imunizante, chamado Vivaxin, está em processo de patente e o pedido para testes clínicos deve ser protocolado até janeiro de 2024. Durante a fase pré-clínica, a vacina mostrou resultados promissores em termos de qualidade, eficácia e segurança.
Atualmente, não existe uma vacina aprovada contra o Plasmodium vivax, o parasita responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil, que são transmitidos por mosquitos Anopheles. Em 2023, o país registrou quase 118 mil casos de malária, sendo 80% atribuídos ao P. vivax, particularmente na região amazônica, onde a doença provoca febre, calafrios e sintomas severos. O aumento de 12% nos casos entre populações indígenas em 2024 é uma preocupação crescente, conforme dados do Ministério da Saúde.
“Temos um produto inédito e inteiramente desenvolvido no Brasil”, afirma Irene Soares, da USP, que lidera o projeto em colaboração com Ricardo Gazzinelli, da UFMG. A pesquisa recebeu apoio da Fapesp, Finep e CNPq, superando o chamado “vale da morte” para levar a investigação da pesquisa básica até a fase de testes clínicos.
A patente, submetida em outubro, protege a formulação do imunizante, que combina três variantes genéticas da proteína PvCSP do parasita, visando aumentar a eficácia. Estudos recentes demonstraram que a vacina induz altos níveis de anticorpos e, em alguns casos, consegue prevenir completamente a infecção em modelos animais.