Foz do Iguaçu–PR – O uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) sem acompanhamento médico pode causar complicações graves à saúde, como pancreatite, aumento do risco de um tipo específico de tumor na tireoide e, em casos raros, perda de visão. O alerta é do médico nutrólogo Léo Assis, especialista em emagrecimento, hipertrofia e longevidade.
Segundo o médico, embora a tirzepatida possa ser uma ferramenta importante no tratamento da obesidade, seu uso exige avaliação clínica rigorosa e monitoramento contínuo. “As canetas emagrecedoras promovem saciedade e reduzem a ingestão alimentar de forma abrupta. Quando isso ocorre sem acompanhamento, o impacto metabólico pode ser significativo”, explica.
Avaliação prévia é essencial
De acordo com Assis, antes de iniciar o tratamento, o paciente deve passar por exames laboratoriais e de imagem, especialmente aqueles com histórico de pancreatite, hepatite ou problemas na vesícula biliar. “Pacientes com pedra ou lama na vesícula precisam, inclusive, de avaliação cirúrgica antes de considerar o uso do medicamento”, alerta.
Outro ponto de atenção envolve a tireoide. “O uso do Mounjaro é contraindicado em casos específicos de nódulos tireoidianos. Em situações suspeitas, exames mais aprofundados e até biópsias são necessários antes de qualquer prescrição”, afirma o especialista.
Efeitos colaterais e impacto metabólico
Além dos riscos mais graves, o uso indiscriminado da tirzepatida pode provocar efeitos colaterais frequentes, como prisão de ventre, indisposição, cansaço excessivo e perda de massa muscular. “Há pessoas que consomem entre 3 mil e 4 mil calorias por dia e, de forma abrupta, passam a se alimentar muito pouco. O organismo reage a esse choque”, explica.
O médico destaca que perder peso rapidamente não significa tratar a obesidade. “A tirzepatida induz a perda de peso, assim como a cirurgia bariátrica, mas isso não equivale, necessariamente, a tratar a doença”, afirma.
Obesidade exige abordagem integral
Para Assis, o tratamento eficaz da obesidade precisa considerar aspectos físicos e emocionais. “É fundamental avaliar fatores psicológicos, metabólicos, hormonais, além de níveis de vitaminas, minerais e a saúde intestinal. Sem isso, o risco de recuperação do peso e efeito sanfona é alto”, observa.
O especialista reforça que medicamentos devem ser usados como parte de um plano terapêutico individualizado, e não como solução isolada.