Nesta segunda-feira, 21 de abril, a vice-presidente Carolina Cosse e a secretária nacional de Direitos Humanos, Collette Spinetti, participaram de uma homenagem em memória de Diana Maidanik, Laura Raggio e Silvia Reyes, conhecidas como as Muchachas de abril. A cerimônia marca os 51 anos do assassinato das três mulheres, ocorrido em 1974 durante uma operação conjunta das Forças Armadas e da Polícia.
As três militantes foram mortas enquanto dormiam, em um “ato de terrorismo de Estado que deixou uma marca indelével na história do país”, conforme comunicado da Secretaria de Direitos Humanos para o Passado Recente.
Silvia Reyes, grávida de três meses, era parceira de Washington Barrios, militante tupamaro. Laura Raggio e Diana Maidanik, também militantes, estavam com ela naquela noite. “Suas mortes simbolizam a brutalidade da repressão durante os anos que antecederam o golpe de Estado, quando o aparato repressivo já agia com total impunidade”, afirma o comunicado.
Gastón Grisoni, membro da organização de ex-presos políticos Crysol, ressaltou que “um povo que esquece sua história está condenado a repeti-la, mas aquele que mantém viva a memória está em condições de transcender e superá-la com sucesso”.
“Todos sabemos que foi um crime atroz após 17 meses de que as Forças Armadas anunciaram a desarticulação das organizações armadas, um massacre executado depois de 10 meses de dissolução do Parlamento”, recordou Grisoni. Para ele, o episódio está inserido em “uma ditadura para aplicar um projeto de país a serviço dos donos do poder”.
Como em anos anteriores, a homenagem foi organizada pela Comissão de Memória Muchachas de abril e Crysol. Estiveram presentes a prefeita do Município C, Mónica Amado; o diretor de teatro Fernando Parodi; Carlos e Susana Quiñones, e a integrante da Comissão, Mónica Wodzislawski.
Entenda o Caso
Na madrugada de 21 de abril de 1974, um grupo das Forças Conjuntas do Uruguai, que incluía efetivos do exército e da polícia, abriu fogo em um pequeno apartamento no bairro Brazo Oriental, em Montevidéu.
No local, estavam Silvia Reyes, de 19 anos, e suas amigas Laura Raggio e Diana Maidanik, ambas estudantes de psicologia. Elas teriam permanecido para estudar e dormir.
As três mulheres eram militantes do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T), uma guerrilha urbana de esquerda surgida nos anos 60. De acordo com seus familiares, elas se dedicavam a atividades como distribuição de panfletos e “não tinham pegado em uma arma”.
O que se seguiu foi um tiroteio ensurdecedor, com mais de 200 projéteis disparados no interior da residência. Os corpos das três jovens foram retirados em sacos, cada um com dezenas de balas, como seus familiares descobriram posteriormente.
A operação tinha como alvo o marido de Reyes, Washington Barrios, também militante do MLN-T, que havia conseguido fugir para a Argentina, onde foi detido em 1974 e permanece desaparecido. Reyes esperava o primeiro filho do casal quando foi morta.
A matança das três jovens, que ficaram conhecidas como as “Muchachas de abril”, foi uma das mais cruéis ocorridas durante o regime cívico-militar uruguaio, instaurado após o golpe de Estado em 27 de junho de 1973. Apesar de quase cinco décadas e mais de 40 anos de democracia no Uruguai, essas mortes permanecem sem punição.