Campinas–SP – A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estreou, na noite da última quarta-feira (26), o documentário “Nãsêpôtiti, rio, terra e luta Panará”, que aborda as ameaças ao território e ao rio sagrado do povo indígena Panará. A produção, realizada pela Secretaria Executiva de Comunicação (SEC) da Unicamp em parceria com a Associação Iakiô, tem 63 minutos e une ciência, arte e jornalismo com o propósito de ampliar a consciência pública sobre a situação enfrentada pelos Panará.
A sessão de estreia ocorreu no auditório Inés Joekes, do Instituto de Química (IQ), e será seguida por mais cinco exibições em diferentes espaços de Campinas até o dia 18 de dezembro (agenda completa abaixo). Após as apresentações presenciais, o filme ficará disponível no canal da TV Unicamp no YouTube.
Ameaças ao rio e à sobrevivência Panará
Os Panará vivem em uma área da Amazônia Legal nos municípios de Guarantã do Norte (MT), Matupá (MT) e Altamira (PA). Indícios de contaminação da sub-bacia e dos afluentes do Rio Iriri — chamado de Nänsêpotiti na língua indígena — motivaram pesquisadores do IQ e do Instituto de Geociências (IG) a iniciar investigações no local. O documentário retrata parte dessas expedições e os impactos socioambientais identificados.
A direção é da jornalista da SEC Hebe Rios, que ressaltou que o filme nasce do diálogo com pesquisadores e com a comunidade Panará, especialmente com a liderança Akââ, protagonista da narrativa. A produção reúne depoimentos, registros de campo e reflexões sobre a luta do povo pela preservação de seu território.
Estreia e bastidores da produção
A cerimônia contou com a presença do reitor Paulo Cesar Montagner; da professora Cassiana Montagner, coordenadora das pesquisas; do editor-chefe da SEC, Álvaro Kassab; da diretora Hebe Rios; e de profissionais envolvidos na realização do filme.
O reitor destacou a ampliação do papel da universidade ao apoiar iniciativas de impacto social.
“Tenho orgulho ao olhar para a Unicamp e ver que temos capacidade de produzir projetos dessa natureza. Agradeço o trabalho da SEC, sobretudo pela vocação de perceber a riqueza de um projeto como esse e dar o apoio institucional necessário para que ele possa acontecer.”
Cassiana Montagner lembrou o início da pesquisa, motivada por um e-mail recebido em março de 2023.
“‘Professora, precisamos analisar a vulnerabilidade da bacia do Rio Iriri’, escreveu a doutoranda Zaira Moutinho. Esse pedido deu início à nossa primeira expedição, em agosto de 2023.”
Segundo ela, a segunda expedição, em janeiro de 2024, aproximou ainda mais a equipe da comunidade Panará, inspirando a criação do documentário.
“Foi aí que o documentário nasceu”, contou.
O jornalista Álvaro Kassab destacou o caráter investigativo da produção.
“A equipe fez o melhor uso da boa e velha reportagem, esquadrinhando os dramas enfrentados pelos Panará.”
Hebe Rios reforçou sua gratidão ao povo Panará e às equipes envolvidas.
“Minha maior gratidão se dirige ao senhor Akââ, defensor incansável de seu povo e protagonista na realização do documentário.”
A equipe técnica reúne o repórter cinematográfico Marcos Botelho Jr., o editor Kleber Casabllanca, o finalizador Diohny C. Andrade e a supervisora Patrícia Lauretti.
Agenda de exibições em Campinas
11/12 – 19h – Museu da Cidade
Av. Dr. Heitor Penteado, 2145 – Parque Taquaral
14/12 – 19h30 – Museu da Imagem e do Som (MIS)
Rua Regente Feijó, 859 – Centro
18/12 – 19h – Casa de Cultura Aquarela
Rua Antônio Carlos Neves, 338 – Chácaras Campos Elíseos