Hoje celebramos os 60 anos da Ponte Internacional da Amizade, que conecta Foz do Iguaçu, no Brasil, a Ciudad del Este, no Paraguai. Desde sua inauguração, a ponte tem sido um elo importante entre as duas nações, promovendo não apenas o comércio, mas também a amizade e a solidariedade entre os povos.

A história da ponte é marcada por ciclos de crescimento e transformação. Com sua construção, surgiu o comércio exportador e importador de Foz do Iguaçu, e iniciou-se a colonização da cidade de Puerto Stroessner, atualmente chamada Ciudad del Este, que se tornou o segundo maior centro urbano do Paraguai. Inicialmente, a ponte facilitou o fluxo de mercadorias e pessoas, impulsionando o desenvolvimento econômico de ambas as cidades. Contudo, com o tempo, novos desafios surgiram, como o contrabando, que, apesar de problemático, evidenciou a necessidade de uma gestão mais eficiente nas fronteiras.

Nos últimos anos, a era da informação e da tecnologia trouxe novas oportunidades. O comércio transfronteiriço agora se beneficia de soluções digitais, facilitando a troca de informações e a realização de negócios. O turismo de compras se consolidou como um dos pilares econômicos da região, atraindo visitantes de diversas partes do Brasil e do mundo em busca de produtos com preços acessíveis e de qualidade.

A Ponte Internacional da Amizade é mais do que uma estrutura de concreto; é um símbolo de amizade e solidariedade entre brasileiros e paraguaios.

As culturas do Brasil e do Paraguai se entrelaçam de maneira rica e vibrante, refletindo-se na cultura regional, na gastronomia e nas tradições. Em Foz do Iguaçu, muitas famílias paraguaias têm filhos nascidos no Brasil, enquanto no Paraguai há diversas famílias brasileiras. Essa convivência se manifesta no comércio local, onde é possível encontrar, nas mesas dos brasileiros, delícias paraguaias como chipa, ervas de tereré, galhetitas e coquitos. Do lado paraguaio, destacam-se as coxinhas brasileiras, os pastéis e os risoles.

A música e a dança, presentes em ambos os lados da fronteira, celebram a riqueza dessa união cultural, criando laços que ultrapassam barreiras físicas. Nos fins de semana, muitos paraguaios atravessam a fronteira e lotam os bares e restaurantes em Foz do Iguaçu; em contrapartida, Ciudad del Este recebe uma avalanche de brasileiros que enchem os estabelecimentos paraguaios. Essa fusão de raízes e tradições fortalece a amizade entre os povos, evidenciando a importância da convivência pacífica e do respeito mútuo.

Economia e desenvolvimento

Com o fortalecimento do comércio e do turismo, a ponte desempenha um papel crucial na geração de empregos. Milhares de pessoas dependem diretamente das oportunidades criadas por essa conexão. O desenvolvimento econômico não apenas melhora a qualidade de vida, mas também promove um ambiente de cooperação e paz.

Foto: Reprodução/Turismo de compras

Detalhes e curiosidades da construção 

O tratado de construção da ponte foi assinado em 29 de maio de 1956 pelos governos do Brasil e do Paraguai. Em 14 de novembro do mesmo ano, foi criada a comissão encarregada do projeto e da execução da obra. Quando inaugurada em 27 de março de 1965, a ponte atingiu um recorde mundial de vão em ponte de concreto armado e arco engastado, com 290 metros. A localização foi definida entre cinco pontos considerados ideais, determinados após estudos hidrológicos do regime do rio Paraná durante 20 anos. Em fevereiro de 1957, uma embarcação adernou durante levantamentos de medidas batimétricas, resultando na morte do engenheiro Tasso Costa Rodrigues e de outros integrantes de sua equipe.

Foto: Reprodução/Construção da Ponte Internacional da Amizade

Os números das medições comprovam a grandiosidade da obra. A região levantada para a construção, ou seja, a área da bacia a montante da ponte, é de 870 mil km², o que implica que, para determinar a melhor localização, foi necessário o levantamento de uma área maior do que a Península Ibérica. A ponte é também chamada de Ponte Presidente Alfredo Stroessner no Paraguai.

Estruturas e materiais metálicos eram buscados em São Paulo, Volta Redonda e Rio de Janeiro. Para a construção do arco de sustentação, a Companhia Siderúrgica Nacional montou um cimbre de aço carbono com 157,30 metros de comprimento e 1.200 toneladas. Essa estrutura foi montada, testada e desmontada para transporte a 1.700 quilômetros de distância, um grande desafio, dado que o transporte foi feito por carretas em estradas de traçado antigo, resultando em alterações rápidas em diversos pontos das estradas e reforços emergenciais em pontes e viadutos.

Durante a construção, foram utilizados:

O impacto ambiental

O impacto ambiental também foi significativo. Foi desmatada uma área de 14 hectares de mata atlântica virgem e realizada a terraplenagem de 139.000 metros quadrados. Para abastecer a vila operária com água potável, foi perfurado um poço artesiano de 117 metros de profundidade. Para a concretagem, foi necessária a instalação de uma usina de britagem com capacidade de produzir 100 m³ de pedra brita por dia, utilizando material retirado das margens do rio Paraná, além da areia extraída do leito do rio. Toda a madeira utilizada foi retirada da floresta atlântica da região, resultando na destruição de imensas reservas de mata natural que não foram replantadas. O cimento utilizado veio de Curitiba e de São Paulo.

Celebremos

Celebramos, portanto, não apenas o aniversário da ponte, mas tudo o que ela representa: um futuro de união e prosperidade entre Brasil e Paraguai. Que continuemos a construir juntos, tijolo por tijolo, as bases de uma amizade que ultrapassa fronteiras!