Curitiba, PR – A Universidade Federal do Paraná (UFPR) instituiu a Ouvidoria da Mulher, nova seção vinculada à Ouvidoria Geral da instituição voltada ao atendimento especializado de mulheres vítimas de discriminação ou violência no ambiente universitário.
A criação do canal integra a política institucional de prevenção e enfrentamento às violências adotada pela universidade e amplia os mecanismos de acolhimento, orientação e encaminhamento de denúncias envolvendo casos de violência de gênero.
A Ouvidoria da Mulher foi instituída pela Resolução nº 13/2025 do Conselho de Planejamento e Administração (Coplad). Entre as atribuições da nova seção estão o recebimento de manifestações, o acolhimento e orientação às vítimas e a promoção de campanhas de sensibilização e capacitação voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.
A iniciativa decorre da Política Institucional de Prevenção e Enfrentamento às Violências, implementada pela UFPR em maio de 2024, que prevê ações voltadas à prevenção, acolhimento e responsabilização em casos de violência no âmbito universitário. A medida também se alinha ao Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência de Gênero nas Universidades, lançado no final de 2025 pelo Conselho Nacional do Ministério Público.
Segundo a ouvidora da Mulher da UFPR, professora Tirzhá Dantas, somente em 2025 a universidade recebeu cerca de 20 denúncias de assédio sexual ou violência contra mulheres por meio do canal Fala.BR, plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação do governo federal.
“Imaginamos que, infelizmente, estes números sejam maiores. Portanto, temos um conjunto consistente de evidências que apoiam a necessidade de criação da Ouvidoria da Mulher”, afirma.
“A violência de gênero nas universidades federais é um problema estrutural – ainda que muitas vezes invisibilizado – que compromete tanto o direito à educação quanto a garantia de um ambiente de trabalho seguro e saudável”, acrescenta.
De acordo com a professora, a própria organização hierárquica das instituições pode dificultar denúncias e favorecer a impunidade, o que reforça a necessidade de consolidar uma rede de enfrentamento à violência de gênero articulada com as instâncias responsáveis pela apuração e responsabilização.
“A criação da Ouvidoria da Mulher não depende apenas de números, mas do reconhecimento de que precisamos de políticas institucionais claras, mecanismos de acolhimento adequados e uma cultura de cuidado. É dessa forma que podemos assegurar que nossas universidades sejam espaços verdadeiramente seguros e inclusivos para todas”, explica.
Intertítulo: Atendimento e encaminhamento de denúncias
A Ouvidoria da Mulher passou a funcionar oficialmente durante a sessão solene de comemoração dos 113 anos da UFPR. O canal é destinado a servidoras, estudantes e trabalhadoras terceirizadas que, no exercício de suas atividades no ambiente da universidade, sejam vítimas de violência de gênero.
As manifestações relacionadas a fatos ocorridos no âmbito do Poder Executivo federal devem ser formalizadas por meio da plataforma Fala.BR. Nos casos envolvendo violência, discriminação ou assédio direcionados a mulheres, a Ouvidoria Geral da UFPR encaminha a demanda à Ouvidoria da Mulher para acompanhamento especializado.
A nova seção realiza o acompanhamento dos casos com escuta qualificada, acolhimento, orientação especializada e articulação com as instâncias responsáveis pela apuração das denúncias. Sempre que necessário, a rede de proteção às vítimas também é acionada.
“Nos casos de assédio ou violência de gênero, é muito comum que a vítima ou a testemunha não saiba como agir de imediato. Assim, é importante ressaltar que a vítima ou testemunha pode, antes de formalizar a denúncia, procurar a Ouvidora da Mulher para orientação”, destaca Tirzhá Dantas.
O atendimento da Ouvidoria da Mulher pode ser solicitado pelo e-mail: ouvidoriadamulher@ufpr.br.
A formalização de denúncias deve ser realizada pela plataforma Fala.BR.
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