O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recentemente chamou a atenção global ao sugerir que Israel “entregue Gaza” para que os EUA possam desenvolver “um dos empreendimentos mais espetaculares da Terra”. A Faixa de Gaza, que sofreu devastação em decorrência das ações militares israelenses contra o grupo extremista Hamas, está no centro desse debate.

Uma das propostas indica que Trump pretende transformar a região em um resort internacional sob controle americano, uma ideia previamente mencionada por seu genro, Jared Kushner. Contudo, há especulações de que a busca por petróleo e gás na região também possa ser uma motivação subjacente.

Um levantamento da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) de 2019 revelou que o território palestino ocupado, incluindo partes da Cisjordânia e da costa mediterrânea da Faixa de Gaza, está sobre reservatórios significativos de combustíveis. A UNCTAD estima que a exploração das reservas de petróleo poderia gerar cerca de US$ 71 bilhões, enquanto as reservas de gás natural chegariam a impressionantes US$ 453 bilhões, totalizando um potencial de US$ 524 bilhões.

Esse estudo sugere que, se essas reservas fossem exploradas, poderiam “promover a paz e a cooperação entre antigos beligerantes”. A pesquisa também indica que os reservatórios de gás natural na região contêm cerca de 3,46 trilhões de metros cúbicos. Para comparação, a Rússia, que possui as maiores reservas de gás do mundo, detém 47,2 trilhões de metros cúbicos, conforme um relatório da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Embora o Oriente Médio represente 39,8% das reservas conhecidas de gás natural, a estimativa de recursos na Faixa de Gaza ainda não foi confirmada, segundo João Victor Marques, pesquisador da FGV Energia.

Geopolítica em Jogo

Entretanto, especialistas apontam que a relevância dessas reservas de petróleo em Gaza pode ser menos significativa do que se imagina, e que as motivações de Trump são, em grande parte, de natureza geopolítica. Helder Queiroz, professor da UFRJ, considera as reservas de petróleo em Gaza como “irrelevantes” e sugere que o interesse de Trump na região reflete um “objetivo de expansão do poder dos EUA”.

Rodrigo Reis, fundador do Instituto Global Attitude, acrescenta que “é muito mais uma demonstração de agressividade de Trump, similar ao que ele fez com o Panamá e a Groenlândia, utilizando o peso econômico e político dos EUA para obter vantagens estratégicas”.