Tribos da América do Sul denunciaram as recentes declarações dos acadêmicos Kim Hill e Robert Walker, dos Estados Unidos, que defendem o contato forçado com povos indígenas isolados na Amazônia. As lideranças locais advertem que tal medida traria consequências catastróficas, resultando no extermínio de culturas e populações vulneráveis.

Em vídeo produzido para o projeto Voz Indígena, da Survival International, membros do grupo conhecido como “Guardiões Guajajara” rejeitaram veementemente a ideia. Estes guardiões atuam na proteção dos indígenas Awá, que vivem isolados em territórios próximos e sofrem com a ausência de fiscalização governamental efetiva.

A resistência contra o genocídio

Olímpio Guajajara, líder dos guardiões, explicou a importância do monitoramento autônomo realizado pela tribo para garantir a defesa dos grupos que optaram pelo isolamento. “Nós estamos aqui fazendo o monitoramento da terra. Não vamos permitir que o contato controlado aconteça, porque é mais um genocídio de um povo que não quer o contato”, afirmou Olímpio.

A rejeição à proposta de Hill e Walker encontra eco em outras lideranças históricas, como Davi Kopenawa Yanomami. Conhecido internacionalmente como o “Dalai Lama da Floresta”, Kopenawa testemunhou os impactos devastadores de doenças e violência em seu próprio povo durante o século XX e hoje defende o direito à autodeterminação das tribos isoladas.

Proteção legal e vulnerabilidade

De acordo com a Constituição Brasileira, todos os povos indígenas têm direito originário à terra. Desde 1987, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) adota a política de não contato, priorizando a demarcação de territórios e a proteção ambiental dessas áreas. Essa diretriz é apoiada por organizações como Cimi, CTI, Isa e Survival International.

As tribos isoladas são consideradas os povos mais vulneráveis do planeta. Sem imunidade contra doenças comuns, como gripe e sarampo, populações inteiras podem ser dizimadas em poucos dias após o contato. Além das patologias, a pressão de madeireiros e ruralistas que buscam recursos naturais representa uma ameaça constante de violência física.

Críticas ao pensamento neocolonial

Stephen Corry, diretor da Survival International, classificou a postura dos acadêmicos norte-americanos como perigosa e neocolonial. Para Corry, a ideia de um “contato controlado” ignora os desejos dos povos indígenas e serve aos interesses daqueles que desejam o roubo de terras na América do Sul.

“São as tribos que devem determinar seu relacionamento com o resto do mundo, não acadêmicos”, concluiu Corry. Recentemente, campanhas globais conseguiram garantir territórios protegidos para grupos como os Kawahiva, no Mato Grosso, reforçando que a proteção da terra é a única forma de garantir o futuro desses povos.

Vídeo: Olímpio Guajajara critica propostas para o ‘contato controlado’ com tribos

 

 

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