Ponta Grossa, PR – A modernização da Unidade Armazenadora da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Ponta Grossa (PR) já apresenta resultados na primeira fase das obras, realizadas por meio de acordo de cooperação entre a Conab e o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops), organismo da ONU especializado em infraestrutura, com financiamento da Itaipu Binacional.
A etapa inicial da reforma foi direcionada à impermeabilização e à pintura técnica dos armazéns, com uso de tecnologia voltada à redução da absorção de calor e ao controle de infiltrações. Monitoramentos técnicos indicaram queda significativa na temperatura interna das estruturas após a intervenção.
O sistema aplicado utiliza impermeabilização com borracha líquida à base de grafeno, projetada para oferecer proteção estrutural por pelo menos dez anos. “Não se trata de uma pintura tradicional. Com este tipo de solução, criamos uma camada flexível que acompanha a dilatação da estrutura sem rachar, garantindo vedação total contra a água e umidade por dez anos.”, afirma Bruno Ruchinski, associado de Engenharia Civil do Unops.
Antes da obra, superfícies de concreto e coberturas metálicas acumulavam fuligem e calor, afetando as condições de armazenagem de grãos. Testes comparativos realizados pela equipe técnica mostraram que, em um dia de grande amplitude térmica, a superfície de um armazém antigo registrou 42 °C no fim da manhã, enquanto a estrutura modernizada marcou 19 °C. A diferença de 23 °C é atribuída ao isolamento térmico proporcionado pela solução, que mantém um bolsão de ar mais frio no interior da estrutura tratada.
Benefícios operacionais e de segurança
A redução da temperatura impacta diretamente a segurança no trabalho em ambientes de armazenagem. “Quando o calor não é controlado, aumentam significativamente os riscos de estresse térmico, fadiga e erros operacionais, o que em espaço confinado pode ter consequências graves”, destaca Juliano Chandretti, associado de HSSE do Unops.
Segundo a equipe operacional da unidade, as mudanças também influenciaram a rotina de trabalho. “Com a temperatura interna menor, a produção da equipe melhorou, proporcionando um rendimento operacional superior”, relata Renato Carneiro de Paula, encarregado do setor operacional da Unidade Armazenadora de Ponta Grossa.
Para a Conab, os efeitos da tecnologia também se refletem na qualidade dos grãos armazenados e na redução de custos. O aquecimento excessivo pode iniciar processos de fermentação, o que demanda o uso de produtos químicos para controle de pragas, como pastilhas de fosfina. A manutenção de temperaturas internas mais baixas reduz a necessidade desses insumos e contribui para a preservação da qualidade do produto.
A eficiência energética é outro resultado apontado pela gestão da unidade. “A condensação no interior diminui, e a ventilação para a aeração dos grãos armazenados passa a ser menos demandada, gerando uma economia de energia elétrica significativa”, afirma João Francisco Slusarz, gerente da Unidade Armazenadora da Conab em Ponta Grossa.
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