Puerto Iguazú, ARG – Dezembro ganhou ritmo, emoção e dramaticidade no Yabuticaba Mercadito de La Selva, em Puerto Iguazú. Embora o Dia do Tango seja oficialmente celebrado em 11 de dezembro, no Yabuticaba a homenagem se estende ao longo de todo o mês, transformando cada noite em um encontro com a alma portenha. Reconhecido como um dos atrativos gastronômicos mais singulares da cidade, o espaço consagra dezembro como o mês do tango, com apresentações diárias que vão além do espetáculo e convidam o público a viver uma verdadeira imersão cultural.

Entre pratos autorais, natureza preservada e música ao vivo, o tango se manifesta em sua forma mais autêntica, envolvendo sentidos, histórias e emoções. A cada noite, dançarinos profissionais ocupam o centro do mercadito e conduzem o público por uma experiência sensorial que une arte e convivência. O grande diferencial está na interação: jornalistas, comunicadores e visitantes são convidados a participar da dança, rompendo a distância entre palco e plateia. O resultado é um ambiente acolhedor, onde o tango deixa de ser apenas assistido e passa a ser vivido.

Essa dança carregada de emoção nasceu no final do século XIX, nos portos de Buenos Aires e Montevidéu, em uma região marcada pelo intenso encontro de culturas. Imigrantes italianos e espanhóis, ritmos africanos como o candombe, a milonga pampeana e a habanera cubana se misturaram nos bairros populares do Rio da Prata, dando origem a um estilo inicialmente marginalizado, mas profundamente humano. Foi desse caldeirão social que emergiu o tango expressão artística moldada pela saudade, pela dor e pela esperança. “Mesmo que por alguns minutos, é incrível dançar ouvindo a letra de uma música tão intensa”, relata a jornalista Denise Barbosa.

No Yabuticaba, essa história ganha novos contornos. Em plena selva misionera, o tango dialoga com a gastronomia argentina contemporânea, criando uma atmosfera que conecta passado e presente. O som do bandoneón instrumento de origem alemã que se tornou símbolo do gênero embala coreografias intensas, enquanto os sabores do cardápio reforçam a identidade cultural da experiência. Cada prato servido parece acompanhar o compasso da música, em um ritual que celebra a mesa como espaço de encontro. “Gostei muito da interação dos dançarinos com o público. Foi uma experiência muito boa”, comenta a jornalista Abilene Rodrigues.

A chamada “sofrência” do tango, tão presente nas letras e nos movimentos, também encontra eco nesse cenário. O gênero sempre falou de amores não correspondidos, abandono, solidão do imigrante e da passagem do tempo histórias reais de quem deixou sua terra natal em busca de um futuro melhor.

Talvez por isso o tango siga atual, atravessando gerações e fronteiras com a mesma intensidade. “Eu me soltei na dança. A dançarina conduziu e troquei passos de tango pela primeira vez”, declara Ricardo Brzozowski.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2009, o tango é um símbolo compartilhado por Argentina e Uruguai, mas foi em solo argentino que se consolidou como identidade nacional. Nomes como Carlos Gardel, Aníbal Troilo, Osvaldo Pugliese e Astor Piazzolla ajudaram a eternizar o gênero, levando-o dos bairros populares aos grandes palcos do mundo.

“O tango representa cultura, histórias e até a sofrência de amores não correspondidos. Sempre admirei a dança argentina e tive a oportunidade de dançar no Yabuticaba Mercadito”, conta o jornalista catarinense Jefferson Severino. Já a empresária Bernadette Sabbi, que conhece o estilo da dança, descreveu o momento como uma “experiência incrível, vivenciada no dia do meu aniversário. Foi um presente”.

Ao eleger dezembro como o mês do tango, o Yabuticaba Mercadito de La Selva reforça o papel de Puerto Iguazú como destino que vai além das Cataratas. O espaço mostra que o turismo também se constrói com cultura viva, experiências sensoriais e histórias contadas no compasso de uma dança. Entre passos marcados, abraços intensos e sabores memoráveis, o tango encontra ali um novo cenário para seguir emocionando.