ESTOCOLMO (SUÉCIA) — Superlotação, rebeliões e violência carcerária são temas recorrentes no noticiário brasileiro quando o assunto é sistema prisional. Na Suécia, no entanto, a realidade segue o caminho oposto. Desde novembro de 2013, quatro presídios e um centro de detenção preventiva foram desativados por falta de presos.
As cidades de Åby, Håja, Båtshagen e Kristianstad deixaram de abrigar unidades prisionais simplesmente porque não havia mais necessidade. O fechamento reflete uma tendência consistente: desde 2004, a população carcerária sueca apresenta queda média de 1% ao ano. Entre 2011 e 2012, a redução foi ainda mais significativa, chegando a 6%.
Atualmente, o país registra apenas um preso para cada 1.956 habitantes. No Brasil, a proporção é drasticamente diferente: um preso para cada 361 cidadãos, evidenciando modelos penais e políticas criminais profundamente distintos.
Reabilitação em vez de punição em massa
De acordo com dados do governo sueco, a redução da população carcerária não ocorreu por acaso. O país adotou, ao longo das últimas décadas, uma política criminal baseada em forte investimento na reabilitação, penas mais brandas para crimes relacionados a drogas e aplicação de penas alternativas para delitos de menor potencial ofensivo, como pequenos furtos.
“O foco do sistema penal sueco está na reintegração social e na redução da reincidência, não no encarceramento em massa.”
Essas medidas permitiram não apenas reduzir o número de presos, mas também diminuir custos públicos, fechar unidades prisionais e reorientar recursos para políticas sociais, educacionais e de prevenção.
Um contraste com a realidade brasileira
Enquanto o Brasil enfrenta uma das maiores populações carcerárias do mundo, marcada por superlotação crônica e violações de direitos humanos, a experiência sueca demonstra que modelos baseados em reabilitação e alternativas penais podem produzir resultados concretos a longo prazo.
“Anotou, Brasil?”
O contraste expõe que a questão carcerária não se resolve apenas com mais presídios, mas com políticas públicas estruturadas, prevenção, educação e reintegração social, capazes de reduzir a criminalidade sem ampliar o encarceramento.
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