Na história da música antiga no Brasil entendida como aquela composta antes de 1750, o grupo Studium Musicaetem um papel pioneiro. Foi o primeiro conjunto do país a gravar um disco dedicado exclusivamente ao repertório medieval e teve papel essencial na consolidação de Curitiba, nos anos 1980, como um centro de referência nacional na área. Após 28 anos de pausa, o grupo retomou suas atividades em 2022, com concertos em Curitiba. Agora, inicia sua primeira turnê pelo estado do Paraná com uma formação renovada. Entre as cidades visitadas está Foz do Iguaçu, que recebe o espetáculo “Rotas da Seda: A Música do Mundo” no dia 21 de junho, às 20h, no Auditório Alcibíades Luiz Orlando.

A turnê é viabilizada pelo Programa de Fomento e Incentivo à Cultura – PROFICE, da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com incentivo da Copel e produção de Alvaro Collaço. Em Foz do Iguaçu, o projeto conta com apoio do Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu. “Este tem sido um ano especial para o Studium Musicae, com a turnê e o lançamento do filme ‘Música Inesperada’, documentário de Neni Glock que conta a nossa história. Estamos muito felizes por levar música antiga a Foz do Iguaçu”, comenta Alvaro Collaço. “Vai ser algo especial não apenas para o público, mas também para os próprios músicos.”

O concerto Rotas da Seda propõe mais do que um passeio sonoro: oferece uma reflexão sobre fé, comércio e intercâmbio cultural ao longo da história. As rotas, que se iniciaram séculos antes de Cristo, seguem vivas até hoje — inclusive com novas interpretações digitais.

Um mosaico sonoro de culturas

O programa do concerto marca uma nova fase para o Studium Musicae, que ampliou seu repertório além da tradição europeia. Agora, inclui músicas da China e do Japão, demonstrando que há muito tempo o mundo já era profundamente sonoro.“Estamos levando ao público um repertório extremamente inusitado e curioso. São temas oriundos de tradições musicais diversas, que evidenciam contrastes geográficos e culturais. Uma viagem sonora singular”, afirma Plínio Silva, integrante desde os anos 1980, quando o grupo ainda se chamava Conjunto Renascentista de Curitiba.

Flávio Stein, também da formação original, compartilha do entusiasmo: “Estamos muito animados com a turnê. Queremos saber como essa música soará para o público jovem de hoje. Lá atrás éramos nós os jovens — e tínhamos um público imenso, também jovem.” Ambos assinam a direção geral do grupo. A equipe artística encontra-se conformada por: Daniele Oliveira – voz, Fábio Mazzon – percussão, Flávio Stein – flautas, xiao, Júlio Cesar Coelho – vièle, rabeca, Márcia Kaiser – voz, Mateus Sokolowski – viela de roda, bouzouki, bandolim, Norberto Pavelec – voz, vièle, Plínio Silva – harmônio, flautas; já na Direção –Geral: Flávio Stein & Plínio Silva, Transcrições Musicais – Plínio Silva, Transcrições Fonéticas – Norberto Pavelec e Márcia Kaiser.

O grupo nem sempre teve o nome Studium Musicae. Fundado em 1981 como Conjunto Renascentista de Curitiba pela gambista Eunice Brandão (1960–2001), o grupo nasceu com apoio da Fundação Cultural de Curitiba e dos músicos Roberto de Regina e Ingrid Serafim. Em 1983, adotou o nome atual e no ano seguinte lançou o LP “As Cruzadas”, primeiro disco brasileiro totalmente dedicado à música medieval. Nos anos 1980 e 1990, os integrantes também criaram importantes festivais em Curitiba. Após uma pausa entre 1994 e 2022, o grupo foi reativado com o lançamento do CD triplo Tríptico, com registros históricos. A trajetória completa está registrada no documentário Música Inesperada, de Neni Glock, lançado em abril de 2024 na Cinemateca de Curitiba.

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