Curitiba, PR – Produtores rurais do Paraná passaram a contar, desde o dia 6 de abril, com um canal exclusivo de comunicação com a Copel. Batizado de Copel Agro, o serviço integra um plano de ações da empresa voltado à redução de falhas no fornecimento de energia no meio rural, após articulação do Sistema FAEP.

A iniciativa atende a uma demanda recorrente de agricultores e pecuaristas, que vêm relatando prejuízos milionários causados por quedas e oscilações no fornecimento de energia dentro das propriedades.

O canal exclusivo conta com uma equipe de 30 especialistas disponíveis 24 horas por dia. O atendimento pode ser feito pelo telefone 0800 643 76 76 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8970, sendo direcionado especialmente a produtores que atuam com proteína animal, como frango, suínos, leite e peixe.

“Nos últimos meses, as quedas de energia causaram prejuízos enormes aos nossos produtores rurais. Diante dos relatos constantes desses problemas, o Sistema FAEP buscou a Copel para a construção de um plano com ações que ajudem o agricultor e pecuarista no momento de queda de energia. Esse canal faz parte desse trabalho, com perspectiva de facilitar e dar agilidade no contato, principalmente na hora de notificar problemas”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

“Essa é uma conquista importante para os nossos produtores rurais, pois a energia é um insumo fundamental nas atividades dentro da porteira. Vamos continuar acompanhando o cenário, para garantir mais investimentos no meio rural”, complementa.

Produtores relatam melhora no atendimento

Mesmo com poucos dias de funcionamento, o Copel Agro já apresenta resultados positivos na avaliação de produtores.

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado. Foto: Sistema Faep.

O piscicultor Max Alberto Cancian, de Marechal Cândido Rondon, relata melhora na comunicação com a concessionária.

“Um profissional entende melhor o que estamos passando. Conseguimos explicar a gravidade da situação. Na minha experiência, a resposta foi rápida”, conta.

Cancian afirma que as quedas de energia ocorrem com frequência na região, chegando a duas ou três vezes por semana.

“Já tive muitos equipamentos queimados por causa da oscilação. Esse tipo de perda até é ressarcido pela Copel, mas o gasto com diesel para manter o gerador ligado é alto e não é reembolsado, o que acaba sendo repassado ao consumidor final”, afirma.

“Esse novo canal é uma ferramenta importante, mas o ideal é melhorar o serviço para que o produtor não precise acioná-la”, completa.

A piscicultora Rosimeri Draghetti, de Santa Helena, também relata mudanças no atendimento. Antes de adquirir um gerador, ela acumulou prejuízos com a mortalidade de peixes devido à falta de energia.

Max Cancian aprovou o novo canal de comunicação da Copel, com resultados rápidos e atendimento humanizado. foto: Sistema Faep.

“A comunicação antes era muito ruim. Na propriedade não temos sinal de telefone, só internet, e o atendimento pelo WhatsApp demorava bastante. Já ficamos até três dias sem energia. Agora, ao entrar em contato, fui direcionada para esse canal específico do produtor rural”, afirma.

Ela também destaca a redução no tempo de restabelecimento do serviço.

“A última queda foi às 22h30 e a energia só voltou às 7h43 do dia seguinte. Desta vez, voltou em duas horas. Isso é importante, pois o gerador é para emergência, não para sustentar a produção por mais de 24 horas”, relata.

O canal exclusivo faz parte de um conjunto de medidas estruturadas pela Copel em parceria com o Sistema FAEP e entidades do setor produtivo, como a Ocepar e a Fiep. Desde o início do ano, as instituições realizam reuniões semanais para alinhar soluções às demandas do campo.

Segundo Luiz Eliezer, técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, há uma diferença significativa entre os indicadores oficiais e a realidade das propriedades rurais.

“As principais reclamações dos sindicatos rurais envolvem quedas de energia, oscilações e demora no religamento. Levamos essas demandas para as reuniões para que o plano atenda, de fato, às necessidades do produtor. A energia é um insumo essencial ao agricultor, que representa cerca de 25% dos custos de produção”, destaca Luiz Eliezer.

De acordo com ele, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica estabelece limite médio de oito horas sem energia por ano no Paraná, em áreas rurais esse número pode chegar a 40 horas anuais.

Entre as ações previstas no plano estão poda de vegetação, reforço de equipes, investimentos em tecnologia, melhoria na comunicação, capacitação técnica e ampliação da infraestrutura, incluindo subestações e geração distribuída.

Outro avanço em discussão envolve o Projeto de Lei nº 189/2026, em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná. A proposta altera a legislação estadual para transferir às concessionárias a responsabilidade pelo manejo da vegetação próxima às redes elétricas.

O texto, de autoria dos deputados estaduais Hussein Bakri, Alexandre Curi, Fábio Oliveira, Moacyr Fadel e Evandro Araújo, prevê que a poda e a supressão de árvores em um raio de até 15 metros das redes de distribuição deixem de ser responsabilidade dos produtores rurais.

A medida é considerada estratégica para reduzir falhas no fornecimento e ampliar a segurança energética no campo.