Foz do Iguaçu, PR – O Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) completou 15 anos de fundação, reafirmando-se como uma das entidades sindicais mais representativas do Paraná e o maior sindicato de Foz do Iguaçu, com 2.800 filiados — número que reflete a força da categoria mais numerosa entre os servidores municipais.
A comemoração aconteceu na última segunda-feira (13), no Wandscheer Park, e reuniu centenas de profissionais da educação em um encontro marcado por música, homenagens, sorteios e reencontros. O evento celebrou não apenas o aniversário da entidade, mas também uma trajetória construída na luta por valorização profissional, dignidade e reconhecimento social.
“O Sinprefi é, hoje, uma referência não apenas pelo número de filiados, mas pela forma como conduzimos nossas lutas, com transparência, participação e diálogo”, afirmou a presidente Viviane Dotto, que assumiu o sindicato em 2022 e segue no cargo até 2026.
15 anos de lutas e conquistas
Desde sua fundação, em 24 de setembro de 2010, o Sinprefi protagoniza transformações significativas na rede municipal. O Plano de Carreira do Magistério, conquistado após anos de mobilização, é apontado como o maior avanço da história da categoria.
“É indiscutível a importância do plano. Os professores que se aposentaram antes de sua aprovação recebem até 50% menos do que os que se aposentaram depois”, explica a assessora jurídica do sindicato, Dra. Solange Silva.
O sindicato também garantiu a implantação da tabela salarial própria e o pagamento do Piso Nacional do Magistério, ainda que haja retroativos em aberto. Mais recentemente, obteve decisão judicial favorável à devolução dos livros de inglês retirados das salas de aula sem o consentimento dos professores. “Nosso sonho é ver cada servidor entendendo que ele também é parte do sindicato. Nenhuma conquista foi dada: todas vieram da luta, da organização e, muitas vezes, da greve”, destacou Viviane Dotto.

Raízes da organização sindical
O Sinprefi nasceu do desmembramento do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz (Sismufi), quando cerca de 100 professores se reuniram na Escola Santa Rita de Cássia para criar uma entidade voltada exclusivamente à defesa dos educadores.
A professora Maria Rice, primeira presidente, liderou a estruturação do sindicato e a conquista de direitos específicos. “Sem um sindicato próprio, não teríamos avançado. Há verbas que devem ser investidas exclusivamente na educação, e o Sinprefi garantiu isso ao longo dos anos”, relembra Rice.
Em 2013, o sindicato enfrentou um de seus maiores embates: a implantação do Plano de Carreira do Magistério. Após dois anos de negociações frustradas, uma greve geral em 2015 paralisou todas as escolas municipais e consolidou a conquista. “Contamos, inclusive, com o apoio dos pais, foi um momento decisivo para a história do sindicato”, relembra Fátima Véres, uma das fundadoras.
A professora Marli Maraschin de Queiroz, eleita em 2018, comandou a fase de expansão institucional. “No início, fazíamos vaquinhas para manter o sindicato. Hoje, temos estrutura sólida e o desconto em folha que sustenta o maior sindicato da cidade”, enfatiza.

Desafios e memória
A história recente do Sinprefi também é marcada pela perda da presidente Viviane Jara Benitez, eleita em 2022 e falecida quatro meses depois, vítima de complicações médicas.
Sua sucessora, Viviane Dotto, então secretária-geral, deu continuidade à gestão e liderou a greve geral de 2023, que cobrou avanços salariais e melhores condições de trabalho.
Hoje, o sindicato concentra esforços na revisão do Plano de Carreira, no pagamento integral do Piso Nacional, na valorização de todas as carreiras da educação municipal e na construção da sede própria, projeto que simboliza a consolidação da entidade como referência política e social.
O que representa o Sinprefi para Foz
Com 15 anos de trajetória, o Sinprefi tornou-se um ator político fundamental na história recente de Foz do Iguaçu.
Suas mobilizações ajudaram a redefinir a relação entre Estado e servidores, consolidando a ideia de que educação pública se constrói com valorização de quem ensina e cuida das crianças da cidade.
Além de conquistas materiais, o sindicato também tem promovido ações de cuidado emocional, eventos de integração e formação continuada, reconhecendo o impacto da sobrecarga e dos desafios vividos em sala de aula. “Momentos de celebração, como o dos 15 anos, são também uma forma de cuidar da saúde mental dos educadores, um direito que precisa ser defendido tanto quanto os salários e planos de carreira”, destacou Viviane Dotto.
15 anos em perspectiva
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Fundação: 24 de setembro de 2010
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Primeira presidente: Maria Rice
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Greve histórica: 2015 – conquista do Plano de Carreira
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Filiação atual: 2.800 sindicalizados
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Maior categoria do funcionalismo municipal: cerca de 7.000 servidores
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Gestão atual: Viviane Dotto (2022–2026)
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Próximo passo: construção da sede própria do sindicato