Washington (EUA) – O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que limita a capacidade do presidente Donald Trump de ordenar novas ações militares contra a Venezuela sem autorização prévia do Congresso. A medida representa uma das mais significativas derrotas políticas do presidente em seu segundo mandato no campo da política externa.

A moção que permitiu levar a resolução ao plenário foi aprovada por 52 votos a 47, com o apoio de todos os senadores democratas e de cinco parlamentares do Partido Republicano, segundo informações da emissora NBC.

Votação expõe divisão entre os republicanos

A proposta foi apresentada de forma conjunta pelo senador democrata Tim Kaine e pelo republicano Rand Paul. Além de Paul, votaram a favor da resolução os senadores republicanos Lisa Murkowski, Susan Collins, Todd Young e Josh Hawley.

De acordo com a CNN, a votação final do texto deverá ocorrer na próxima semana, podendo haver um processo de conciliação com uma proposta semelhante que tramita na Câmara dos Representantes.

Lei dos Poderes de Guerra volta ao centro do debate

Na prática, a resolução reafirma a Lei dos Poderes de Guerra, aprovada em 1973, no contexto do fim da Guerra do Vietnã. A legislação determina que o presidente dos Estados Unidos não pode iniciar ações militares prolongadas sem autorização expressa do Congresso, como previsto na Constituição.

Segundo Kaine, a iniciativa pode abrir caminho para outras resoluções com o mesmo objetivo, buscando interromper hostilidades ou ameaças contra países como Nigéria, Cuba, México e Colômbia, alvos de ações ou declarações hostis de Trump no último ano.

Trump reage e ataca senadores

O presidente reagiu de forma agressiva à decisão do Senado. Em sua rede social, Truth Social, Trump afirmou que os senadores republicanos que apoiaram a resolução “nunca mais deveriam ser eleitos para cargos públicos”.

Para o jornal britânico The Guardian, a votação representa “uma repreensão significativa” ao presidente norte-americano.

Trump também classificou a medida como uma ameaça à segurança nacional. “Essa votação dificulta muito a autodefesa e a segurança nacional americanas, reduzindo a autoridade do presidente como comandante em chefe”, escreveu.

Escalada militar no segundo mandato

Eleito com o discurso de oposição às chamadas “guerras eternas”, Trump acumula, no primeiro ano de seu segundo mandato, bombardeios ou ações militares em pelo menos sete países, entre eles Irã, Síria, Iêmen, Somália, Iraque, Nigéria e Venezuela.

Nesta semana, além de ameaçar novos ataques contra a Venezuela, Trump também sugeriu a possibilidade de ação armada para anexar a Groenlândia, além de declarações hostis direcionadas a México, Colômbia e Cuba.

Duas tentativas anteriores de aprovar resoluções semelhantes haviam sido bloqueadas em 2025 por senadores alinhados ao trumpismo, mesmo após denúncias de execuções extrajudiciais e deslocamento de uma frota de guerra para o litoral venezuelano.

Repercussão internacional e crise venezuelana

A escalada de tensões envolvendo a Venezuela provocou reações internacionais. Países como Rússia e China pediram a libertação de Nicolás Maduro e defenderam o direito do país de decidir seu próprio destino sem intervenção externa.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou que as riquezas naturais da Venezuela pertencem ao seu povo, contrariando declarações feitas por Trump. O Brasil reconheceu Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, após decisão do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano.

No país caribenho, manifestações seguem exigindo a devolução de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, deputada da Assembleia Nacional desde 2016.