Foz do Iguaçu (PR) – A busca por melhores salários tem levado um número crescente de brasileiros a migrar para o Uruguai, movimento que vem se intensificando nos últimos anos, sobretudo em regiões próximas à fronteira. O principal fator de atração é a diferença expressiva entre os salários mínimos pagos nos dois países.
A partir de junho de 2026, o salário mínimo uruguaio passará a ser de 25.383 pesos uruguaios mensais, valor que corresponde a aproximadamente R$ 3.480, conforme a cotação atual. O montante é mais que o dobro do salário mínimo brasileiro, fixado em R$ 1.621 neste ano, o que ajuda a explicar o aumento do interesse de trabalhadores brasileiros pelo país vizinho.
Reajustes acima da inflação fortalecem o poder de compra
O avanço do piso salarial no Uruguai é resultado de reajustes consecutivos aprovados pelo governo, que superaram a inflação local. Dados oficiais indicam que os aumentos acumulados chegaram a 7,54%, enquanto a inflação ficou próxima de 4%, garantindo ganho real no poder de compra dos trabalhadores.
Esse cenário contrasta com a realidade do Brasil, onde o salário mínimo, apesar de reajustes periódicos, permanece distante das primeiras posições no ranking latino-americano.
Migração concentrada na região Sul
A diferença salarial tem despertado o interesse principalmente de brasileiros que vivem nos estados do Sul e em municípios de fronteira, que encontram no Uruguai oportunidades em setores como comércio, serviços e construção civil. A proximidade geográfica facilita o deslocamento e, em alguns casos, permite até a manutenção de vínculos familiares no Brasil.
Além do piso nacional elevado, o mercado de trabalho uruguaio conta com negociações coletivas que, em determinadas categorias, asseguram salários superiores ao mínimo legal, ampliando ainda mais a atratividade para trabalhadores estrangeiros.
Brasil perde posição no ranking regional
Estudos comparativos apontam que o Brasil ocupa atualmente a 14ª posição entre os salários mínimos da América Latina, atrás de países com economias menores, mas com políticas salariais mais agressivas em termos de ganho real.
Especialistas, no entanto, alertam que o custo de vida no Uruguai é mais alto, especialmente em alimentação, moradia e serviços. Por isso, a decisão de mudar de país exige planejamento financeiro e avaliação cuidadosa das despesas.
Ainda assim, para muitos brasileiros, a combinação de salário mais elevado e reajustes acima da inflação tem pesado na decisão de atravessar a fronteira em busca de melhores condições de vida e trabalho.
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