Texturas, aromas e sons se misturam em um cenário único nos campi da UNILA. É assim, com identidade própria e espírito coletivo, que acontece a Feira Agroecológica e Cultural da UNILA, sempre às quartas-feiras, no Jardim Universitário, e às quintas, no Campus Integração, a partir das 16h. Muito além da venda de produtos, a feirinha é um ponto de encontro, trocas culturais e fortalecimento de saberes tradicionais latino-americanos.

Criada em 2017, a iniciativa surgiu a partir de ações do Núcleo de Apoio aos Povos da Terra. De lá para cá, tornou-se um espaço de acolhimento e convivência plural. Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia dos Santos Pinheiro, a proposta sempre esteve ligada à valorização da diversidade, da agroecologia e da cultura popular. “É um lugar de encontros, trocas e pertencimento”, destaca.

Produtos agroecológicos e artesanais com identidade própria

Quem visita a feirinha encontra uma ampla variedade de alimentos agroecológicos e artesanais: frutas, legumes, pães, doces típicos como alfajores, arepas, choripán e até lasanhas com broto de bambu. Os visitantes também podem consumir os alimentos no local, em clima descontraído e acolhedor.

O artesanato também é destaque, com produtos que vão do crochê e macramê a cadernos feitos à mão, serigrafia artesanal, sabonetes naturais, entre outros. A diversidade reflete as múltiplas nacionalidades envolvidas: Argentina, Brasil, Paraguai, Colômbia, Venezuela, entre outras representações da América Latina que compõem o corpo de feirantes.

Mais do que um mercado alternativo, a feira representa uma vivência de integração e resistência. Patrícia ressalta que o espaço é uma oportunidade concreta para que a UNILA se aproxime cada vez mais da comunidade externa. “A feira é um elo entre ensino, pesquisa e extensão, abordando temas como soberania alimentar, economia solidária, artes, agroecologia e saúde popular”, afirma.

Um exemplo dessa articulação foi a roda de conversa promovida com o grupo Luiza Aparecida – Resgatando Saberes Ancestrais, formado por mulheres assentadas do MST. A atividade integrou práticas populares de saúde, plantas medicinais e trocas de sementes, reafirmando o valor do cuidado coletivo como forma de resistência.

Cultura viva e arte como expressão da diversidade

A programação da feirinha é embalada por expressões culturais diversas: música ao vivo, rodas de conversa, teatro e até exibições de cinema. Os estilos vão do samba à música eletrônica, reforçando o caráter plural da iniciativa. Além disso, a feira tem extrapolado os muros da universidade, participando de eventos como a Feira do Imigrante, realizada no Teatro Barracão.

A UNILA, por meio do projeto de extensão, oferece suporte aos feirantes com capacitações e orientações técnicas. Uma das exigências é o cumprimento de boas práticas no manuseio de alimentos, além do incentivo à qualificação na comunicação e na sustentabilidade.

A estudante e feirante Aline Pio Novo Mattos, mestranda em Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar, atua no projeto desde 2022. Para ela, a experiência é transformadora: “Estamos construindo caminhos para que a feirinha se torne uma associação, tenha CNPJ e amplie ainda mais o impacto da agroecologia em Foz do Iguaçu.” Segundo Aline, estudos indicam que esta é a única feira agroecológica da cidade. “Ela é fundamental para combater a insegurança alimentar e aproximar os estudantes dos produtores. É um exemplo real de economia solidária em ação.”

A Feira Agroecológica e Cultural da UNILA acontece:

A participação é gratuita e aberta a toda a comunidade. Interessados em expor na feira podem se inscrever preenchendo o formulário no link: https://bit.ly/feirinha-unila