SÃO PETERSBURGO | RU – O governo da Rússia confirmou, nesta quinta-feira (2), a intensificação do apoio energético a Cuba com o envio de um segundo petroleiro para a ilha. O anúncio, feito pelo ministro da Energia, Sergey Tsiviliov, durante o fórum EnergoProm-26, ocorre em um momento crítico, onde o país caribenho enfrenta severas restrições de abastecimento decorrentes do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.
A movimentação russa é um desafio direto à logística de isolamento da ilha. Segundo Tsiviliov, um primeiro navio já rompeu o cerco recentemente e o segundo carregamento já está em processo de embarque. “Cuba está completamente bloqueada; todas as rotas de acesso estão fechadas. Não vamos abandonar o povo cubano neste momento difícil”, afirmou o ministro à agência Interfax.
O anúncio sucede a chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin ao porto de Matanzas, ocorrida há três dias. A embarcação transportou 730 mil barris de petróleo bruto — a primeira carga de grande porte a atracar em Cuba em três meses. Especialistas do setor indicam que o volume é capaz de gerar cerca de 180 mil barris de diesel, o suficiente para suprir a demanda nacional por até dez dias.
De acordo com Irelaldo Pérez Cardoso, vice-diretor da estatal União do Petróleo de Cuba (Cupet), a operação de descarregamento e “cabotagem interna” deve ser concluída em 96 horas. O plano de refino prioriza setores vitais da sociedade cubana:
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Gás liquefeito: Destinado a hospitais e centros educacionais;
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Gasolina: Para aliviar o desabastecimento nos transportes;
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Diesel: Foco central na geração de energia elétrica e atividades econômicas essenciais.
Apesar da ajuda humanitária, a Casa Branca mantém uma postura de controle rígido sobre a região. A porta-voz da presidência dos EUA, Karoline Leavitt, ressaltou que o bloqueio permanece intacto e que a permissão foi concedida especificamente para o primeiro navio, reservando a Washington o direito de decidir, caso a caso, sobre futuras autorizações de passagem.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, reforçou o simbolismo da operação. Ela destacou que o navio Anatoly Kolodkin leva o nome de um dos fundadores do direito marítimo internacional, uma escolha que, segundo ela, não é mera coincidência em um momento de desrespeito às normas de navegação global.
“Cuba é nossa amiga e parceira mais próxima no Caribe; não temos o direito de abandoná-la à própria sorte. Quando os alicerces do direito marítimo estão sendo destruídos, a Rússia decide enviar um navio que homenageia quem defendeu esse direito. A ajuda continuará.” — Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
O governo russo não detalhou se houve negociação prévia com Washington para este segundo envio. A diplomacia russa, por meio do vice-ministro Sergey Ryabkov, limitou-se a reiterar que a parceria com Havana é prioritária e que Moscou buscará meios de manter o fluxo de insumos básicos para garantir a estabilidade energética da ilha.
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