Entre 1831 e 1833, a província da Bahia vivenciou movimentos de caráter federalista que refletiam o descontentamento com a política centralizadora do governo do Rio de Janeiro. Os sentimentos antilusitanos, alimentados pela presença dominante dos portugueses no comércio e na administração, provocaram manifestações populares que exigiam ações contra esses “inimigos” do povo. As reivindicações incluíam desde a deportação de portugueses até a proibição de ocuparem cargos públicos.

A abdicação de D. Pedro I, em abril de 1831, inicialmente acalmou os ânimos, mas logo novas manifestações emergiram, clamando pela “Federação” e pela autonomia provincial. O historiador Wanderley Pinho destaca que o descontentamento com a centralização estava presente nas falas dos federalistas, que também manifestavam um forte ódio a D. Pedro I e aos portugueses.

O Surgimento da Sabinada

Com a renúncia do regente Feijó em 1837, a insatisfação aumentou, especialmente entre militares e maçons na Bahia. Esse clima de instabilidade culminou na Sabinada, uma revolta liderada pelo médico Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira. Diferente de outros movimentos da época, a Sabinada não conseguiu mobilizar as camadas mais pobres nem atrair a adesão das elites locais, como os grandes proprietários de escravos.

Os sabinos, como eram chamados os revoltosos, buscavam preservar a autonomia conquistada com o Ato Adicional de 1834, ameaçada pela Lei Interpretativa. A revolta foi precedida por uma intensa campanha na imprensa e reuniões secretas que fomentavam a insatisfação popular.

A Revolta e sua Repressão

O estopim da rebelião aconteceu em novembro de 1837, quando militares do Forte de São Pedro se rebelaram e se uniram a outros batalhões. Sob a liderança de Sabino e João Carneiro da Silva Rego, os sabinos conseguiram controlar Salvador por quase quatro meses, proclamando uma República que duraria até a ascensão do príncipe herdeiro D. Pedro de Alcântara ao trono.

Entretanto, a Sabinada foi isolada em Salvador e não conseguiu expandir seu apoio. Em 1838, tropas regenciais, apoiadas por proprietários do Recôncavo, invadiram a cidade, resultando em um massacre dos revoltosos. Os sobreviventes enfrentaram severas punições em um tribunal conhecido como “júri de sangue”, marcado pela brutalidade.

A Sabinada representa um importante episódio da luta por autonomia e expressa o descontentamento com as políticas centralizadoras do Império. Apesar de sua repressão, o movimento deixou um legado de resistência e a busca por autonomia que reverberaria em futuros conflitos no Brasil.