CORUNHA (ESPANHA) – Em meio à crise econômica que assolava a Espanha, em 2013, bombeiros da cidade de Corunha se recusaram a cumprir uma ordem judicial de despejo contra Aurellia Rey, uma senhora de 85 anos que vivia com uma pensão mensal de apenas 356 euros e não conseguia arcar com o aluguel de 126 euros.

O gesto dos bombeiros ganhou repercussão nacional e internacional ao expor os impactos sociais da crise econômica espanhola, marcada por desemprego elevado, cortes em políticas sociais e milhares de despejos motivados por inadimplência. No caso de Aurellia Rey, a ordem judicial foi vista como desproporcional diante da vulnerabilidade da idosa.

Durante a ação, os bombeiros exibiram um cartaz com a frase:

“Resgatamos as pessoas, não os bancos.”

A mensagem rapidamente se espalhou pelas redes sociais e se tornou símbolo de resistência às políticas de despejos em massa. A atitude dos agentes públicos foi amplamente apoiada pela população, que passou a se mobilizar em defesa da aposentada e a pressionar por uma solução que garantisse seu direito à moradia.

O episódio também reacendeu o debate sobre o papel do Estado e dos servidores públicos diante de situações de injustiça social. Enquanto parte da sociedade elogiou a postura dos bombeiros como um ato humanitário, o caso levantou discussões jurídicas sobre os limites da lei e a responsabilidade dos agentes públicos frente a ordens judiciais em contextos de crise extrema.

O caso de Aurellia Rey tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos da fragilidade do sistema de proteção social espanhol naquele período, evidenciando a necessidade de políticas públicas mais eficazes para enfrentar a pobreza, a desigualdade e os efeitos sociais da crise econômica.

“Não troco camisa com assassinos”, diz Cristiano Ronaldo após jogo com Israel