Buenos Aires (AR) – As duas centrais da CTA intensificaram nesta quinta-feira (27) a articulação com o bloco oposicionista Unión por la Patria, em uma ofensiva conjunta para barrar a reforma trabalhista que o governo Javier Milei pretende enviar ao Congresso. O encontro ocorreu no terceiro andar do Palácio Legislativo, no gabinete principal da bancada peronista.
Os líderes da CTA-T e da CTA Autónoma — Hugo Yasky e Hugo “Cachorro” Godoy — foram recebidos pelo presidente do bloco oposicionista, Germán Martínez, acompanhado das deputadas Cecilia Moreau e Paula Penacca. Também participaram dirigentes sindicais como Oscar “Colo” de Isasi, Sonia Alesso, Oscar Peidro, Daniel “Tano” Catalano e Edgardo Depetri.
A reunião foi apresentada como a primeira de uma série de diálogos que as centrais manterão com diferentes bancadas da Câmara e do Senado para “evitar o avanço de um orçamento regressivo em direitos, além das reformas trabalhista e tributária que aprofundariam o ataque ao povo argentino”, segundo nota divulgada pela CTA Autónoma.
As lideranças sindicais manifestaram forte preocupação com o fechamento de empresas nos últimos meses, que vem provocando demissões em larga escala. Também advertiram que qualquer tentativa de retomar dispositivos já declarados inconstitucionais pela Justiça — como os previstos no decreto 70/23, que alterava regras de indenização e pontos da Lei de Contrato de Trabalho — será contestada.
Os dirigentes acusaram ainda o governo Milei de buscar “fragmentar e atomizar o movimento operário sob o pretexto da modernização”. Para eles, a estratégia se articula com a tentativa do oficialismo de dividir a bancada opositora e enfraquecer a capacidade de reação parlamentar.
Na reunião, CTA-T e CTA-A reafirmaram a necessidade de uma resposta unificada, tanto no Congresso quanto nas ruas. As centrais anunciaram que seguirão organizando ações de mobilização “nos territórios, nos locais de trabalho e em toda a estrutura sindical”, além de contribuir com propostas para uma reforma trabalhista alternativa, centrada na ampliação de direitos.
“A Argentina precisa de uma atualização das normas laborais, mas com foco nas novas necessidades e garantias dos trabalhadores — e não nos interesses dos grandes grupos econômicos”, concluíram as entidades.