*Por Rafael Portillo – Opinião
O presidente Santiago Peña nomeou por decreto o economista Ramón Ramírez como interventor da Prefeitura de Ciudad del Este. Ele iniciou seu plano de trabalho na segunda-feira, 23 de junho, e assumiu o comando da instituição municipal. Apresentou-se como técnico de carreira do Ministério da Economia e Finanças, buscando se distanciar do político. Isso não elimina a dúvida de que ele seja um enviado do partido no poder, que responde diretamente ao Cartismo.
Após o acordo administrativo firmado entre Ramírez e Prieto, ficou evidente que o enviado de Peña não conhecia bem a dinâmica da cidade. Em uma semana, ele parecia um pouco desorientado, não manuseava dados com precisão e aparecia na mídia indeciso. Reconhece que seu papel é investigar os pontos que a Controladoria apontou como irregularidades, mas, no fundo, é perturbado pelo verdadeiro objetivo de sua estadia em CDE.
Literalmente, a cidade do Este o engoliu, enfrentando a realidade do caos no trânsito. Ele atribui a um suposto boicote da direção de trânsito e não reconhece que é um flagelo que a população enfrenta diariamente. Contudo, sempre se controlou esse setor com um sistema de trabalho planejado. É um problema que já vinha sendo discutido para encontrar soluções viáveis que não obstaculizem a dinâmica do comércio local.
Nesse ínterim de um interventor perdido, em dias mais frios na cidade, aparece na mídia como virtual candidato a prefeito Roberto González Vaesken, ex-governador de Alto Paraná (2018 – 2023). Ele pertence ao movimento Honor Colorado da ANR e conta com o consenso de outros movimentos. Qual é a mensagem do Partido Colorado aos moradores de CDE? Unidade. Recuperar a administração municipal a qualquer custo.
Objetivamente, a intervenção é um ponto favorável ao Partido Colorado, que está aproveitando. Assim, coloca o interventor Ramírez em uma encruzilhada eleitoral; quer queira, quer não, ele foi nomeado pelo presidente Peña, o que é diferente de um prefeito eleito pelo voto popular.
A propósito, o técnico de gabinete (acomodado) ou talvez escondido, de fato, é um político colorado enviado com um roteiro, uma pasta vermelha sob o braço. Não nos deixem enganar com a ideia de um suposto funcionário de carreira, intocável; isso era coisa do passado. A ANR não é um partido de iniciantes para enviar um militante com erro de fabricação, ou seja, que responda de forma autônoma, crítica e com rigor científico-técnico.
A realidade do Município é outra, em contraste com a realidade do governo de Santi Peña, segundo seu último relatório de gestão, que pinta um país de maravilhas. Claramente, o interventor Ramírez é um enviado do Cartismo, do grupo de bajuladores do ex-presidente Horácio Cartes. Senadores e deputados despreparados que desconhecem a realidade do Paraguai e, menos ainda, o que acontece em Ciudad del Este. Mas têm essa vocação para a imbecilidade, cinismo e autoritarismo.
Nesse sentido, o que menos lhes interessa é o desenvolvimento da cidade. A paz e a tranquilidade que a população desfrutou com uma administração que atendia às demandas do povo. Com todas as limitações e obstáculos impostos pelo governo central, foram dados passos importantes.
Em tempos de pós-verdade, não se espera nada novo do interventor, além de distorções da informação e manipulações da realidade, típicas da propaganda do partido governante.
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*Rafael Portillo é sociólogo formado pela Universidade da Integração Latino-Americana (Unila).
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