Foz do Iguaçu–PR – O Bolsa Família registrou em novembro um dos maiores movimentos de ascensão social desde o seu relançamento, com 958 mil famílias deixando o programa após aumento de renda. O resultado é parte de um processo contínuo: desde 2023, mais de 8,6 milhões de lares superaram a condição de pobreza devido ao trabalho ou à melhoria das condições financeiras.

O programa atende atualmente 18,65 milhões de famílias, alcançando 48,5 milhões de pessoas, com valor médio de R$ 683,28 e investimento total de R$ 12,69 bilhões neste mês. As mulheres seguem como maioria entre as titulares: 83,9%.

Os dados fazem parte do novo balanço do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e reforçam a tendência observada nos indicadores de emprego e renda do país.

Brasil registra menor taxa de desemprego desde 2012

O trimestre encerrado em outubro marcou um feito histórico: taxa de desemprego de 5,4%, o menor índice da série do IBGE desde 2012. O período também registrou recordes no número de trabalhadores com carteira assinada e no rendimento médio real.

Para o MDS, os avanços no mercado de trabalho têm impacto direto na rotatividade do programa. Até outubro, 2.069.776 famílias deixaram o Bolsa Família pelos mais diversos motivos: aumento de renda, término da Regra de Proteção, mudança de composição familiar e desligamento voluntário.

História que reflete a mudança: da vulnerabilidade à autonomia

A trajetória de Julia Reis, 28 anos, moradora do bairro Lajeado, no extremo sul de Porto Alegre, exemplifica esse movimento. Mãe de Isabella, de 8 anos, Julia recebeu o Bolsa Família por oito anos.

“Ele era fundamental para garantir comida em casa e manter tudo em dia enquanto eu criava a Isabella praticamente sozinha”, conta.

Há oito meses, ela conquistou um emprego com carteira assinada como doméstica. Com a nova renda, ultrapassou o limite para permanência no programa e entrou na Regra de Proteção, mecanismo que permite ao beneficiário permanecer por até um ano recebendo 50% do valor enquanto se estabiliza financeiramente. A regra, em novembro, contempla 2,42 milhões de famílias.

“A notícia deu medo no início. Mas senti orgulho também. Era sinal de que as coisas estavam melhorando. Acho justo que o benefício vá para quem mais precisa”, afirma Julia.

Mesmo com novos horizontes, ela avalia que o valor do benefício poderia ser maior, considerando o custo de vida atual.

Dimensão nacional e proteção territorial

O Bolsa Família também mantém foco em públicos prioritários:

O programa está presente em 100% dos municípios brasileiros. No Rio Grande do Sul, todos os 497 municípios receberam pagamento unificado no primeiro dia de competência, devido às ações emergenciais de resposta às enchentes.

Políticas integradas de renda, qualificação e trabalho

Para o ministro Wellington Dias, a saída de famílias do programa está diretamente associada às ações de apoio ao trabalho e à formação profissional:

“A gente dá a mão para as pessoas para que possam se qualificar, estruturar pequenos negócios e garantir renda própria.”

Julia, agora mais estável, já faz planos:

“Hoje sei que consigo andar com minhas próprias pernas. O Bolsa Família foi essencial para eu chegar até aqui — e ainda é para milhões de famílias.”