Professores e profissionais da educação da rede pública municipal de Foz do Iguaçu decidiram manter o estado de greve após rejeitarem a proposta da Prefeitura para a Matriz Curricular do Ensino Fundamental – 2026. A decisão foi tomada em Assembleia Geral realizada na noite de terça-feira (17), em frente à sede do Executivo municipal.

A mobilização começou ainda ao meio-dia, quando a categoria realizou um ato público em frente à Prefeitura, utilizando o horário de almoço para protestar. Sem respostas do Executivo e denunciando a ausência de diálogo, os profissionais da educação cobraram posicionamento direto do prefeito Silva e Luna e passaram a exigir a exoneração imediata da secretária municipal de Educação, Silvana Garcia.

À noite, às 18h, a assembleia foi retomada no mesmo local e deliberou pela manutenção do estado de greve até 2 de fevereiro de 2026, data prevista para o retorno das aulas. As atividades da rede municipal seguem até esta quinta-feira (19).

protestam contra indicação política na secretaria e falta de participação nas decisões do ensino. Foto: Amilton Farias

Crise na gestão da Educação

Durante o ato e a assembleia, os professores denunciaram o que classificam como caos na gestão da Secretaria Municipal de Educação e a falta sistemática de diálogo com a titular da pasta. Segundo a categoria, a secretária Silvana Garcia não possui histórico de atuação na rede municipal de ensino de Foz do Iguaçu, tampouco experiência comprovada na condução de políticas educacionais no contexto local.

Educadores também apontam que a nomeação da secretária teria sido fruto de indicação política do governador Ratinho Junior, sem relação com a realidade pedagógica, administrativa e social das escolas municipais da cidade. “A educação de Foz está em crise”, afirmaram manifestantes, ao defender que a atual condução da Secretaria compromete tanto a organização do ensino quanto a valorização dos profissionais da educação.

Durante a mobilização, com gritos de protesto, faixas e cartazes, os professores passaram a exigir publicamente a exoneração imediata de Silvana Garcia, apontada como símbolo de uma gestão marcada por decisões unilaterais, ausência de diálogo e distanciamento das demandas concretas da comunidade escolar.

Proposta da Matriz Curricular volta a ser pautada no Conselho Municipal de Educação nesta quarta-feira. Foto: Amilton Farias

Reuniões sem acordo

Dirigentes do Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) e representantes da categoria participaram de três reuniões ao longo do dia com o Executivo municipal na tentativa de negociar a proposta de alteração da Matriz Curricular para 2026. Estiveram presentes a secretária de Administração, Larissa Ferreira, o secretário de Gabinete, Eduardo Garrido, e a secretária municipal de Educação, Silvana Garcia.

Apesar das sucessivas rodadas de conversa, não houve avanço nem acordo. A ausência do prefeito Silva e Luna, que não participou de nenhuma das reuniões, foi duramente criticada pelos educadores e pelo sindicato, que apontam a falta de envolvimento direto do chefe do Executivo como sinal de descompromisso político com a crise instalada na educação municipal, apontou uma professora durante o protesto.

Segundo o Sinprefi, as reuniões se limitaram à exposição de posições já conhecidas da administração, sem abertura efetiva para diálogo ou incorporação das reivindicações apresentadas pela categoria. Para os professores, a condução das negociações reforça a percepção de que as decisões vêm sendo tomadas de forma centralizada, sem escuta da comunidade escolar e à revelia dos profissionais da educação.

Categoria defendeu ampliação do ensino sem prejuízo às disciplinas fundamentais. Foto: Amilton Farias

O principal ponto de conflito é a proposta de alteração da Matriz Curricular do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano). Para 2026, a Secretaria Municipal de Educação propõe reduzir a carga horária de disciplinas consideradas essenciais, como Língua Portuguesa, Geografia e Ciências, para incluir Inglês e Robótica.

A categoria afirma que não é contrária à ampliação curricular, mas considera inaceitável que isso ocorra com prejuízo ao ensino básico. “Não podemos admitir cortes nas disciplinas fundamentais. Essa luta é por nós, mas principalmente pelos nossos alunos”, afirmou a presidente do Sinprefi, Viviane Dotto.

Os professores defendem que a inclusão de novas disciplinas seja feita de forma planejada, com ampliação da carga horária escolar, possibilidade de ensino em tempo integral e contratação de profissionais habilitados. “Do jeito que está sendo proposto, professores da rede terão que assumir conteúdos altamente específicos, sem a formação adequada”, explicou o secretário-geral do sindicato, Lucas Fávero.

A proposta de mudança na Matriz Curricular volta à pauta nesta quarta-feira (18), à tarde, no Conselho Municipal de Educação. Na semana passada, o Conselho deixou de analisar o tema por entender que não havia justificativa para tramitação em regime de urgência.