CURITIBA | PR – O Paraná consolida sua posição no mapa da vitivinicultura brasileira ao unir a herança dos imigrantes europeus com a tecnologia das produções de altitude. A edição de março/abril do Projeto Orgulho Paraná, iniciativa do Sistema FAEP, joga luz sobre os 444 produtores que sustentam uma cadeia produtiva robusta no estado. Com o recente lançamento da “Rota Uva & Vinho Paraná”, o setor projeta um salto no turismo rural em 31 municípios diferentes.

Segundo Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, a iniciativa fortalece a identidade do campo:

“A proposta permite dar visibilidade aos produtores e fomentar a divulgação de produtos do solo paranaense, fortalecendo o sentimento de orgulho em todos os participantes da cadeia produtiva”, destaca.

Do gado aos vinhos finos de altitude

Em Guarapuava, a Vinícola Horst exemplifica a nova fronteira do vinho paranaense. O produtor Alberto Horst trocou a pecuária pela produção de vinhos finos de altitude, apostando em 16 mil videiras de castas europeias como Malbec e Cabernet Franc.

A aposta no “terroir” elevado da região central já rende frutos: a safra de 2026 prevê a colheita de 20 toneladas de uva e a produção de 17 mil garrafas. “O diferencial está nas uvas vitiviníferas, pilar da qualidade mundial. Devido à altitude, Guarapuava é perfeita para isso”, explica Alberto, que planeja verticalizar toda a produção no município.

Alberto e Joelma Horst – Vinícola Horst, Guarapuava

Cooperativismo e tradição centenária

No Norte do Estado, em Marialva, a Coaviti demonstra a força da união. Fundada por 20 pequenos agricultores, a vinícola profissionalizou o processo — da recepção técnica à fermentação controlada. Para a presidente Tatiana Castelari, a visibilidade do projeto atraiu novos olhares para a região, elevando a credibilidade do vinho do Norte paranaense.

Produtos da Vinícola Coaviti, em Marialva

Já na Região Metropolitana de Curitiba, a Vinícola Strapasson, em Colombo, une a tradição iniciada em 1889 por imigrantes venezianos à inovação de mercado. Além dos vinhos Terci e Niágara, a marca expande fronteiras com cosméticos e gastronomia à base de uva. “Queremos espalhar nosso conhecimento e levar o nome de Colombo e do Paraná para o restante do Brasil”, afirma a sócia-proprietária Jéssica Martini.

Produção de vinhos, Vinícola Strapasson em Colombo

Panorama do setor em números

Atualmente, a produção de uvas e vinhos no Paraná movimenta cerca de R$ 261,7 milhões anualmente. Esse resultado é fruto da comercialização de 50 mil toneladas do fruto, cultivadas em uma área que ultrapassa 3,5 mil hectares em todo o território paranaense. Com o novo roteiro turístico, o estado agora conta com 60 propriedades dedicadas ao fomento do turismo rural em mais de três dezenas de municípios, consolidando a uva como um dos pilares da economia regional.

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