Boa Vista–RR – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, realizou no sábado (6/9) uma visita técnica ao primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI Xapori Yanomami) do país, no Território Yanomami, em Roraima. A unidade, inaugurada oficialmente na ocasião, beneficiará cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades, assegurando atendimento de casos graves e suporte em emergências.
Com investimento federal de aproximadamente R$ 29 milhões, o centro representa um marco para a saúde indígena no Brasil, ampliando a capacidade de atendimento, fortalecendo a infraestrutura e oferecendo melhores condições de trabalho aos profissionais de saúde.
Investimento e estrutura
Do total investido, R$ 15 milhões foram destinados à construção, equipamentos e insumos e R$ 14 milhões ao custeio e manutenção de 164 profissionais entre equipes de saúde (114), logística (40) e infraestrutura/saneamento (10).
O Centro possui 1.300 m² de área construída, com capacidade para acolher 120 pacientes e acompanhantes. São três blocos principais:
-
387 m² para alojamento dos profissionais de saúde;
-
801 m² para os atendimentos;
-
122 m² destinados ao refeitório.
A unidade contará com equipamentos modernos, incluindo raio-x, ultrassonografia, exames laboratoriais, doppler fetal, eletrocardiograma, exames preventivos do câncer do colo do útero, pré-natal, teste rápido de malária e salas de estabilização equipadas com suporte para oxigenoterapia e emergências.
Declarações do ministro
Padilha destacou a importância do novo espaço para superar a negligência histórica na região:
“A última construção aqui foi em 1992. Estamos trazendo a saúde da Terra Indígena Surucucu para o século XXI, com equipamentos modernos, melhores condições de trabalho para os profissionais e acolhimento digno para a população indígena.”
Ele reforçou ainda o compromisso do Governo Federal com a população Yanomami:
“Nosso compromisso é superar de vez o risco de genocídio que passou o povo Yanomami. Vamos entregar outras duas unidades até o final do próximo ano, além da reestruturação da Casai (Casa de Saúde Indígena) em Boa Vista e da parceria com o Hospital Universitário.”
Resultados já alcançados
Segundo o Ministério da Saúde, a presença do CRSI já impacta os indicadores locais:
-
33% de redução nos óbitos em dois anos (comparação entre 1º semestre de 2025 e 2023);
-
Queda de 45% nas mortes por doenças respiratórias;
-
Redução de 65% nos óbitos por malária;
-
Queda de 74% nas mortes por desnutrição.
Em 2025, o Território Yanomami passou a contar com 1.855 profissionais de saúde, mais que o dobro dos 690 registrados em 2022. Até agora, 154 mil atendimentos foram realizados, sendo que quase 80% das crianças menores de cinco anos têm acompanhamento nutricional.
Cooperação e apoio
O projeto é resultado de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Saúde, a Central Única das Favelas (Cufa) e a organização Target Ruediger Nehberg Brasil. Também teve apoio do Exército, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Defesa e do Ministério de Minas e Energia.
O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, reforçou que a unidade traz resolutividade inédita:
“Os exames agora são realizados diretamente no território, sem que o indígena precise se deslocar de avião até Boa Vista. É uma transformação no cuidado em urgência e emergência.”
Pioneirismo no país
O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami foi o primeiro criado no âmbito da saúde indígena. Sua sede em Boa Vista coordena 37 polos de saúde que estão em pleno funcionamento, abrangendo uma área de quase 10 milhões de hectares na fronteira Brasil–Venezuela.
Desde a decretação da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) em 2023, cerca de R$ 256 milhões foram investidos na recuperação da infraestrutura de saúde indígena, reduzindo significativamente o vazio assistencial.