FOZ DO IGUAÇU (PR) – A mobilização dos professores e profissionais da educação da rede municipal de Foz do Iguaçu forçou a Secretaria Municipal da Educação (SMED) a recuar e manter integralmente as aulas de Língua Portuguesa e Matemática na nova matriz curricular do Ensino Fundamental, prevista para entrar em vigor a partir do ano letivo de 2026. A decisão representa uma vitória parcial da categoria, que desde o início denunciava o risco de esvaziamento das disciplinas centrais e de precarização do ensino público.
A reorganização curricular foi formalizada por meio do Ofício nº 16.349/25, encaminhado às unidades escolares. No documento, a SMED afirma que a matriz atualizada mantém a carga horária total dos estudantes, preserva as disciplinas essenciais e está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à legislação educacional vigente.
Atualmente, os alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental cumprem 20 horas semanais, carga horária que será mantida em 2026, assim como a distribuição das disciplinas estruturantes, incluindo Português e Matemática. Segundo a Secretaria, o novo modelo não altera o tempo de permanência dos estudantes na escola nem compromete a continuidade pedagógica.
Entre as mudanças previstas está a inclusão gradual da Língua Inglesa no 3º ano do Ensino Fundamental, com uma aula semanal. Para viabilizar a medida, a disciplina de Geografia terá redução de uma aula apenas nessa série, passando de duas para uma por semana. A SMED sustenta que o ajuste não afeta a carga horária total dos alunos e que, nas demais séries, Geografia permanece inalterada.
Outra alteração anunciada é a substituição da disciplina de Informática Educacional por Educação Digital e Computação – Robótica, mantendo uma aula semanal, sob o argumento de atualização das competências digitais. No Ensino em Tempo Integral, a carga horária segue em 45 horas semanais, e a matriz construída com diretores escolares será mantida como projeto piloto ao longo de 2026. Já na Educação de Jovens e Adultos (EJA), a carga horária permanece em 15 horas semanais, com previsão de inclusão do Inglês nas etapas finais, sem redução das disciplinas centrais.
Embora a SMED sustente que a nova matriz fortalece o ensino público e amplia conteúdos de forma organizada, os professores avaliam que o recuo só ocorreu graças à pressão e à mobilização da categoria. Por isso, seguem em alerta.
Mobilização segue e estado de greve é mantido
Mesmo após o recuo parcial da Prefeitura, professores e profissionais da educação decidiram manter o estado de greve. Além das críticas à proposta da nova matriz curricular, a categoria passou a exigir a exoneração imediata da secretária municipal de Educação, Silvana Garcia, indicada pelo governador Ratinho Junior no início da atual gestão. Segundo os trabalhadores, a permanência da secretária inviabiliza a construção coletiva e aprofunda o conflito com a administração municipal.
Uma nova assembleia está marcada para o dia 02 de fevereiro de 2026, quando a categoria irá deliberar sobre a continuidade ou não do movimento, reafirmando a luta em defesa da educação pública e dos direitos dos trabalhadores.