O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luís Roberto Barroso, qualificou como “estarrecedoras” as notícias sobre uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. As declarações foram feitas durante uma sessão do CNJ, em resposta aos fatos investigados pela Operação Contragolpe, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para prender militares acusados de conspirar contra a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no final do governo de Jair Bolsonaro.

Barroso afirmou que o plano não só visava impedir a posse de Lula, mas também previa o assassinato do presidente, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. Ele ressaltou que a situação revela uma tensão alarmante nas instituições democráticas: “Tudo sugere que estivemos mais próximos do que imaginávamos do inimaginável”, disse.

O ministro destacou a importância de afastar comportamentos antidemocráticos da história do Brasil, afirmando que “o golpismo e o atentado contra as instituições nada têm a ver com ideologia, mas são expressões de um desrespeito ao Estado de Direito”. Ele elogiou a condução séria das investigações pela PF, assegurando que o Judiciário julgará os casos de acordo com as leis e a Constituição.

Durante as investigações, a PF encontrou documentos cruciais, incluindo um planejamento estratégico do golpe dividido em cinco fases e uma minuta de criação de um gabinete de crise, que tinha como objetivo “pacificar” o país após uma ruptura institucional. A operação também revelou que o ex-ministro da Defesa, general Braga Neto, participou de uma reunião onde o plano foi aprovado.

O principal alvo da Operação Contragolpe é o general reformado Mário Fernandes, ex-secretário-geral da Presidência, que teria elaborado um plano detalhado para envenenar Lula e eliminar Alckmin e Moraes. Fernandes imprimiu esse plano no Palácio do Planalto durante o governo de Bolsonaro.

As investigações continuam, com a expectativa de que novos desdobramentos sejam revelados nos próximos dias.