Brasília (DF) – O presidente nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Décio Lima, afirmou que o fim da escala 6×1 representa um avanço social e econômico para o país. A declaração foi feita em entrevista à revista IstoÉ Dinheiro, ao comentar o projeto de redução da jornada de trabalho que tramita na Câmara dos Deputados.

Segundo ele, a proposta deve ser analisada não apenas sob a ótica do custo imediato para empresas, mas como medida de modernização das relações produtivas.

“Com o fim da escala 6×1, eliminamos um atraso histórico. O Brasil ganha dignidade humana e, consequentemente, ganha vigor econômico”, afirmou o presidente do Sebrae, Décio Lima.

O dirigente defendeu que o debate leve em consideração o papel social da economia e a distribuição de riqueza no país.

“Esse custo deve ser comparado ao crescimento econômico e à acumulação de riqueza das grandes cadeias. Estamos falando de modernizar relações. Esse debate tem que trazer justamente isso. A economia é para quê? É para acumular riqueza, tão somente? Ou a economia é para dar dignidade humana a todos aqueles que são pertencentes? Dos empresários aos trabalhadores”, destacou.

Proposta é vista como marco regulatório

Décio Lima afirmou que a redução da jornada deve se tornar um marco regulatório no Brasil, aproximando o país de modelos adotados em economias desenvolvidas.

“Não tenho a menor dúvida de que esse modelo precisa urgentemente ser estabelecido como um marco regulatório no Brasil para que possamos induzir uma economia humanizada que valorize o povo brasileiro e permita sintonia com os modelos dos países de primeiro mundo que já há muito tempo tratam essa condição como fundamental, inclusive, para aumentar o próprio processo produtivo”, afirmou.

O presidente do Sebrae avaliou como natural a resistência de setores empresariais à proposta. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou nota contrária ao projeto.

“Sempre que o Brasil procura se modernizar, há processos conservadores de resistências que trazem uma visão muito equivocada”, disse.

Levantamento do Sebrae aponta apoio entre empreendedores

De acordo com levantamento citado pelo dirigente, a maioria dos empreendedores avalia que o fim da escala 6×1 será positivo ou não terá impacto no negócio. Segundo a pesquisa, cerca de 32% consideram que a medida pode ser prejudicial.

“Quanto mais abelha, mais mel, a economia cresce”, argumentou.

Modelo é classificado como arcaico

Décio Lima classificou a escala 6×1 como herança de um modelo produtivo antigo, associado ao sistema fordista do início do século 20.

“A escala 6×1 é um modelo arcaico, herdado do sistema fordiano de mais de 100 anos atrás, da fábrica da construção de cadeias produtivas e que induziu naquele momento a economia no mundo. Um processo produtivo com aquela visão antiga é inimaginável dentro de um contexto de uma economia moderna”, afirmou.

Ele também contestou análises que apontam menor produtividade do trabalhador brasileiro em comparação a outros países.

“Se o trabalhador atua sob um regime que beira o conceito escravocrata, a produtividade sofre. Quando as pessoas trabalham com entusiasmo e paixão, e não por mera obrigação cruel entre capital e trabalho, o resultado é superior. Por fim à escala 6×1 trará esse fôlego novo para as cadeias produtivas”, ressaltou.

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