Foz do Iguaçu–PR – A Prefeitura de Foz do Iguaçu reinstalou o Monumento à Democracia na Praça Naipi, no centro da cidade, após pressão popular e questionamentos formais apresentados ao Ministério Público do Paraná (MPPR). A obra havia sido retirada do local sem aviso prévio no fim de outubro de 2025, o que provocou reação de entidades da sociedade civil, historiadores, parlamentares e movimentos ligados à defesa da memória e dos direitos humanos.

O MPPR, por meio de uma ação popular, cobrou explicações do Executivo municipal sobre o paradeiro do monumento. A Justiça determinou que a Prefeitura informasse, em até 48 horas, onde estava a escultura e quais os motivos da retirada. Em resposta, o município alegou que a remoção fazia parte de um processo de revitalização da praça.

No dia 16 de dezembro, o monumento foi devolvido ao seu local de origem, encerrando um período de pouco mais de um mês em que a obra permaneceu fora do espaço público ao qual está historicamente vinculada. Para entidades e movimentos sociais, o retorno representa resultado direto da mobilização popular e da atuação institucional.

Reação da sociedade civil

O Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do Paraná (CEMVEJ) e o curso de História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) divulgaram nota pública conjunta repudiando a ação e exigindo transparência sobre o destino da escultura.

“A democracia se constrói com memória, não com esquecimento”, afirmava a nota do CEMVEJ, ao ressaltar que a remoção ou descaracterização de símbolos públicos ligados à memória histórica também configura uma forma de violência política. As entidades lembraram ainda que Foz do Iguaçu é uma cidade marcada por experiências de solidariedade latino-americana e que abrigou vítimas da Operação Condor, o que reforça a necessidade de preservação da memória coletiva.

Memória e democracia

O Monumento à Democracia é resultado de um projeto do então vereador José Carlos Neves, com apoio do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP), presidido pelo jornalista e ex-preso político Aluízio Palmar, vítima da repressão da Operação Condor.

A obra homenageia as vítimas da aliança repressiva entre ditaduras militares do Cone Sul nas décadas de 1970 e 1980, responsável por prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados e assassinatos de cerca de 40 mil pessoas. O memorial foi concebido como instrumento de preservação da memória histórica e de valorização do Estado Democrático de Direito.

Na ocasião de sua inauguração, o então ministro Paulo Vannuchi destacou que o monumento tinha como objetivo impedir o esquecimento dos crimes cometidos durante o período autoritário e reafirmar o valor da democracia no Brasil.

Nota da prefeitura após pressão popular

Segundo a Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, a Praça Naipi passa por obras de revitalização, que incluem a restauração do monumento, substituição da grama, melhorias no paisagismo e pintura de equipamentos públicos. O espaço, localizado em área central da cidade, havia se tornado ponto de permanência de pessoas em situação de rua, situação que motivou intervenções urbanas no local.

Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Idelson Chaves, as obras ainda não foram concluídas. Está prevista a instalação de paver em áreas da praça, além de ajustes finais no paisagismo. “O objetivo é recuperar o espaço como área de convivência pública, acessível à população e aos visitantes”, afirmou.

Com a reinstalação do Monumento à Democracia, a Praça Naipi retoma um de seus principais marcos simbólicos, reafirmando seu papel como espaço de memória, convivência e expressão democrática no centro de Foz do Iguaçu.