Brasília, DF – O Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou, na terça-feira (10/2), o balanço das ações da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal em 2025. Entre os principais resultados estão a retirada de R$ 9,5 bilhões do crime organizado, por meio de operações da PF, e a apreensão de 1,44 mil toneladas de maconha em ações conjuntas da PF e da PRF.

Durante o evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que os dados refletem a continuidade e o fortalecimento das políticas de enfrentamento à criminalidade.

“A Segurança Pública é um dever constitucional do Estado. Esta prestação de contas anual é fundamental. A segurança não pode esperar, nem a coletividade. A população precisa de respostas rápidas. Apresentamos algumas delas e vamos incluir mais medidas e programas de longo prazo para combater a violência”, declarou.

O ministro destacou o combate ao feminicídio como uma das prioridades da gestão.

“Precisamos ir além das operações e apreensões, promovendo iniciativas que mudem a cultura e o comportamento da sociedade em relação aos crimes contra mulheres”, afirmou.

Outro foco apontado foi o enfrentamento aos roubos e furtos de celulares.

“Esses crimes afetam diretamente os cidadãos. Estamos preocupados com eles e vamos usar inteligência para cruzar dados e gerar respostas mais eficientes. Há iniciativas em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que vão trazer mudanças culturais no combate a esses crimes. Queremos acabar com a banalização dos furtos”, acrescentou.

O ministro também ressaltou a articulação institucional como estratégia para desmantelar organizações criminosas.

“Nos reunimos com o Congresso Nacional, procuradores de Justiça, chefes de polícia, comandantes do Exército e representantes da sociedade civil, formando uma mobilização que tem dado certo. Há necessidade de ações coordenadas para desmantelar o crime organizado. O ataque às redes criminais precisa de métodos sistemáticos”, afirmou.

No âmbito do sistema prisional, o secretário nacional de Políticas Penais (Senappen), André Garcia, anunciou a apresentação de um novo projeto para as penitenciárias federais.

“O sistema penitenciário realiza um trabalho silencioso, mas essencial. Queremos levar essa estrutura aos estados, com protocolos e equipamentos que aumentem a segurança e o controle. Não basta prender, é preciso manter os presos incomunicáveis. A proposta é criar um Centro Nacional de Inteligência Penal, que vai permitir trabalhar com dados nacionais e reforçar o monitoramento de presos extramuros”, disse.

Para o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a integração entre União e estados é decisiva para o êxito das operações.

“Não há como falar de segurança sem integrar os entes federados. Uma das principais armas do Brasil contra o crime organizado é essa união. Não atuamos de forma imediata isolada. As ações são desenvolvidas em coordenação com os estados para asfixiar o crime material e de inteligência”, explicou.

Chico Lucas também mencionou o trabalho para aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025 de Segurança Pública e reforçou a prioridade no combate ao feminicídio.

“Vamos reduzir a subnotificação, considerando a questão cultural, e integrar mulheres que passam pelo ciclo da violência às redes de proteção, fortalecendo centros de inteligência”, completou.

Entre os principais números apresentados, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 719 toneladas de maconha, 44,3 toneladas de cocaína e 48,3 milhões de maços de cigarro ilegal. A corporação também recolheu 1.134 armas, mais de 59 mil munições e recuperou 7.924 veículos.

O diretor-geral da PRF, Antônio Fernando, afirmou que a atuação da instituição foi ampliada em 2025.

“Com apoio do presidente Lula e do MJSP, ampliamos o alcance da PRF. Ingressamos pela primeira vez na Ameripol – Comunidade de Polícias das Américas, que aumenta o potencial de resultados da nossa atuação. No trânsito, realizamos mudanças significativas, religando equipamentos de segurança nas rodovias. A má conduta no trânsito causa mortes e prejuízos”, declarou.

Na Polícia Federal, os dados indicam recorde na apreensão de drogas e redução no tempo de emissão de passaportes. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Fernandes, o ano foi marcado por desafios operacionais.

“Realizamos mais de quatro mil operações contra cadeias de combustível, desvio de recursos públicos, crimes contra o sistema financeiro e corrupção. A PF não persegue nem protege criminosos. Trabalhamos com provas, autonomia investigativa e escalonamos o combate ao crime de alto nível”, afirmou.

A descapitalização do crime organizado pela PF alcançou R$ 9,5 bilhões em 2025, resultado de apreensões de imóveis, aviões, veículos, bloqueios de contas bancárias e valores em espécie. Ao longo do ano, 42,5 mil pessoas foram indiciadas e mais de 44 mil inquéritos concluídos, com duração média de 452 dias.

No combate ao tráfico de drogas, a PF apreendeu mais de 73,1 mil quilos de cocaína e 7.211 mil quilos de maconha, além de indiciar 1.512 pessoas nas regiões de fronteira.

“As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO) nos permitem capilaridade na descapitalização do crime. Foram R$ 169 milhões retirados do crime. A cooperação entre as forças é genuína e queremos expandir o projeto. A criação da Diretoria de Crimes Cibernéticos possibilitou 1.171 operações, sendo 1.077 voltadas à proteção de crianças e adolescentes”, declarou Andrei Fernandes.

No âmbito administrativo, a Polícia Federal emitiu 2,5 milhões de passaportes em 2025, com redução no prazo de entrega. Em alguns casos, o documento foi expedido em até dois dias.

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