O povo paraguaio amanheceu nas ruas nesta terça-feira, 25, revoltado com a alta dos preços, a corrupção em diversos setores do governo do presidente Santiago Peña e a distribuição de recursos ao agronegócio, que deixou pequenos e médios agricultores na miséria.
Ciudad del Este
O ato, que teve início em frente à prefeitura de Ciudad del Este, foi encabeçado pelo prefeito Miguel Prieto e contou com a participação de autoridades políticas, sindicais e organizações sociais. Carregando uma cadeira, Prieto, junto com os manifestantes, ocupou as principais ruas da cidade até o microcentro, na rotonda Oásis, um local tradicional de manifestações. Em seguida, seguiram para a Rotonda Reloj, no centro da cidade, onde lideranças discursaram em um palanque. Os trabalhadores gritavam “ditadura nunca mais”, levantando faixas e cartazes contra a corrupção e exigindo direitos.
O intendente Miguel Prieto, ao ser questionado sobre o motivo da manifestação, afirmou que o povo não aguenta mais a alta dos preços da cesta básica e a corrupção evidente de um governo que não se preocupa com os trabalhadores. Ele destacou que os camponeses foram a Assunção para se manifestar, insatisfeitos com a falta de apoio e investimento para as famílias do campo. Por essa razão, Ciudad del Este, Assunção e várias cidades do país saíram às ruas.
Miguel Prieto criticou a demora na abertura da segunda ponte, afirmando que Santiago Peña prejudica Ciudad del Este e todo o país. Ele ressaltou que boa parte da arrecadação do país depende da cidade de Ciudad del Este (fronteira com Foz do Iguaçu. no Brasil, e que a demora prejudica o comércio e o desenvolvimento regional, impedindo oportunidades de emprego e renda.

O prefeito criticou a compra feita pela Itaipu Paraguaia, que adquiriu cadeiras e mesas para escolas por meio de licitação pública a um preço considerado exorbitante: 112 dólares cada, enquanto no mercado o valor seria de apenas 22 dólares. Para evitar gastos públicos desnecessários, Prieto propôs um concurso público para a aquisição dos itens a 22 dólares. No entanto, sua proposta foi rejeitada pela Direção de Contratos Públicos.

Miguel Prieto caminhou até a Ponte da Amizade, acompanhado por milhares de pessoas. Taxistas e caminhoneiros relataram a corrupção na Aduana, afirmando que, mesmo pagando altas taxas, não conseguem trabalhar em paz. “Tiram o pouco dos trabalhadores que têm a ponte como única forma de sustentar suas famílias, enquanto os grandes contrabandos passam direto”, afirmou o lider dos taxistas de Ciudad del Este.
O senador da República Rubén Velázquez declarou: “Santiago Peña excluiu os camponeses, e hoje eles estão nas ruas de Assunção. Os hospitais estão abandonados, e por isso Ciudad del Este se levanta contra a corrupção em diversos setores do governo Peña.”

Entre as reivindicações estão o combate à corrupção desenfreada, o autoritarismo de Santiago Peña, maior orçamento para saúde, que seja gratuito e de qualidade, e educação em solidariedade com os camponeses na XXXI Marcha Anual dos Camponeses Pobres. Os manifestantes clamam por terra, trabalho e liberdade, contra a exploração e precarização dos trabalhadores, e por um salário decente. Também se opõem à narcopolítica do Partido Colorado, afirmando que o crime organizado assumiu os poderes do Estado.

Várias regiões do país
A precarização do trabalho, a corrupção e o alto custo de vida não afetaram apenas Ciudad del Este, mas também várias outras cidades e regiões do país. Em Presidente Franco, manifestantes bloquearam a ponte sobre o Rio Monday, ligando a cidade a Los Cedrales. Já em Minga Guazú, os protestos ocorreram no cruzamento das rodovias PY02 e PY06, um dos principais entroncamentos do leste paraguaio.
Na região do lago de Itaipu, organizações sociais e produtores rurais anunciaram atos em municípios como Itakyry (Chino Cué), San Alberto e Mbaracayú (Puerto Indio). Minga Porã, Assunção e cidades da região metropolitana também registraram mobilizações. Simultaneamente, em Hernandarias, funcionários da Itaipu fecharam ruas e avenidas em protesto contra a usina no lado paraguaio.